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Ingo com o Fitti FD02 do 7º lugar em Interlagos 1977

Além de Wilsinho Fittipaldi, que disputou 11 grandes prêmios, e Emerson, com 78, outros cinco pilotos estiveram inscritos nos 104 grandes prêmios de que o Fitti F-1 participou entre 1975 e 1982. O finlandês Keke Rosberg, o italiano Arturo Merzario correu apenas o GP da Itália de 1975 substituindo Wilsinho, que havia se acidentado no GP da Áustria.
Os outros três foram Alex Dias Ribeiro, Chico Serra e Ingo Hoffman, que viveu uma boa história GP do Brasil de 1977.

Ingo Ott Hoffmann – mas pode chamar de Alemão – foi para a Inglaterra para competir na Fórmula 3. Estreou em 29 de abril de 1975, em Silverstone a bordo de um March- Novamotor 753.

Já na estréia o paulistano Hoffmann se surpreendeu ao ver que as coisas não eram tão difíceis como imaginara. Emplacou um quinto lugar e foi conhecendo os segredos do carro. Venceu sua quarta prova, em Oulton Park, onde, além da pole position, estabeleceu a volta mais rápida. Foi o sexto, entre 108 inscritos em Mônaco, e ainda deu repeteco em Silverstone, batendo 84 rivais na famosa prova patrocinada pela Associação dos Construtores de F-1, que reúne pilotos de todos os campeonatos regionais da Europa. Só não marcou pontos em três das 11 provas em que competiu, finalizando o campeonato na sexta posição.

Os Fittipaldi, que orientavam a carreira de Ingo na Europa, acharam que já era hora de seu pupilo testar um carro mais veloz e sugeriram que ele passasse à Fórmula 5000, um degrau para a F-1, na época. O Alemão topou imediatamente e teve uma experiência muito proveitosa, pilotando o Chevron B28. Esse F-5000 propiciou a Ingo lições da maior importância. Sentiu as reações de um carro veloz, sobretudo nas aproximações de curva, que mudam totalmente a forma de pilotagem de um circuito para outro.
Ingo fechou a fase da F-5000 com duas quebras e dois terceiros lugares, correndo contra carros mais competitivos e botas experientes como o campeão Teddy Pillet, Peter Gethin e Ray Mallock, que passaram à F-1 no final daquela temporada. Bastou esse retrospecto para Wilsinho Fittipaldi achar que o Alemão estava pronto para o batismo na Fórmula 1.
O primeiro teste de Ingo no Copersucar aconteceu na segunda-feira, 28 de outubro de 1975, na mesma pista de Silverstone, na qual tinha estreado na F-3 sete meses antes. O Alemão não esperava tanto. Apesar do escondido nervosismo, sabia que os irmãos Fittipaldi não exigiriam muito de sua pilotagem. “O Wilsinho e o Emerson tinham mais confiança em mim do que eu”, relembra Ingo.
Mas Darci Medeiros, velho e experiente mecânico dos Fittipaldi, não acreditou muito na calma aparente do piloto e bolou uma maneira de aliviar a tensão do estreante. Às pressas, mandou desenhar uma formiga de capacete e colou no cockpit do Copersucar FD-03 com a legenda “Formigão Veloz”. Uma brincadeira que lembrava o apelido que Ingo ganhou depois de ter capotado sobre um formigueiro no circuito de Cascavel, no Paraná, numa prova de Super Vê, quando teve o capacete invadido por saúvas. Trinta anos depois, Darci ainda conservava com carinho a parte da carenagem pintada com a figura do Formigão Veloz.

O primeiro teste de Ingo no FD-01 aconteceu na presença de toda a equipe Copersucar: Emerson, Wilsinho, Jo Ramirez, Ricardo Dívila, Yoshiatsu Itoh e todos os mecânicos.

Bastaram 20 voltas para Hoffmann gostar do Fitti. Achou o carro prazeroso e se surpreendeu por não precisar aliviar o pé nas tomadas de curva, porque a estabilidade do F-1 permitia entrar forte e continuar acelerando, um desempenho impossível nos F-3 e F-5000.
Wilsinho Fittipaldi gostou da performance do seu piloto e deixou-o à vontade. Ingo completou 76 voltas, o mesmo número do GP da Inglaterra, e exultou quando viu que tinha cravado como melhor tempo 1 minuto e 21 segundos, ficando só a 1,5 segundo da volta mais rápida de Clay Regazzoni, com a Ferrari (1’20”9), no GP da Inglaterra de três meses antes.

Mesmo satisfeito com os testes e parabenizado pelos irmãos Fittipaldi, Ingo se mantinha comedido. “Estão fazendo muito barulho com o meu trabalho na F-1. Tem até quem pense que eu posso ganhar o próximo GP do Brasil. Continuo achando que cheguei muito rapidamente à Fórmula 1, mas a chance apareceu e eu não podia deixar de aproveitá-la.” Em 25 de janeiro, três meses depois do teste de Silverstone, o Alemão alinhava no GP do Brasil de F-1 de 1976.
Na tomada de tempo de sexta-feira, o Alemão rodou na entrada da curva do S,e no sábado, na do Pinheirinho. Sua melhor marca no primeiro dia de treinos livres foi a de 2’40”86, e embora tenha baixado o tempo em 20 centésimos no sábado, garantindo o 22° posto do grid, não ficou satisfeito com o progresso.

Ingo Hoffmann correu o GP do Brasil de acordo com os conselhos de Wilsinho Fittipaldi. A prioridade era a de terminar a prova, para adaptar-se o máximo possível ao carro e a um Grande Prêmio de F-1. E não podia ser diferente pilotando o FD-03, um carro muito difícil de guiar em Interlagos, por causa da pouca estabilidade nas curvas de alta velocidade. Portanto, fechar a corrida em 11° lugar, à frente de feras como Carlos Reutemann, Emerson Fittipaldi (13º), Ronnie Peterson, James Hunt, Mario Andretti e Jacques Laffite, foi ótimo para a estreia do Alemão.
Ingo, que aparentava ter saído do carro mais nervoso do que entrou, resumiu com sinceridade a corrida. “Para mim foi ótimo. Aconteceu exatamente o que se podia esperar: cheguei até o fim da prova. Eu – e todo mundo – sabia que não poderia acompanhar os ponteiros e só cometi um pequeno erro, entre as curvas 1 e 2, quando dei uma escapada.”
Sedento, e visivelmente emocionado, Ingo bebeu muita água e derramou outro tanto na cabeça, deixando o precioso líquido escorrer pelo rosto vermelho e suado. Sorriu timidamente aos amigos que o aplaudiam e depois se recolheu ao fundo do boxe e cochichou no ouvido da mulher Ruth: “Eu ainda estou tremendo”.
A intenção de Fittipaldi era a de manter Ingo no segundo carro da escuderia. Mas os planos da equipe goraram. O FD-04 não correspondeu à expectativa, e a Fittipaldi optou por manter só Emerson na pista. Com o velho FD-02, Ingo ficou em 25° no grid de Long Beach, 30° na Espanha e 29° na França. Não se classificou para as largadas nem foi inscrito nos outros 12 grandes prêmios da temporada.
Em 1977 Hoffmann voltou à F-1. Alinhou em 19° na Argentina e fazia boa prova, mas o motor quebrou e ele parou na 22° das 53 voltas previstas. No GP do Brasil ele repetiu a 19ª posição no grid e fez uma corrida perfeita, fechou num expressivo sétimo lugar,à frente de botas como Mário Andretti, Jody Scheckter, Jacques Laffite, Ronnie Peterson e Clay Regazzoni

Wilsinho Fittipaldi, satisfeito com a boa colocação do Alemão em Interlagos, chegou a anunciar a participação de Ingo no restante da temporada. Mas, como os novos modelos Fittipaldi F-5 e F-6 mais uma vez não aprovaram, só Emerson seguiu na tentativa de desenvolver o F-1 brasileiro. O Formigão Veloz não voltou mais à F-1.

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