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 Jacarepaguá , 1985, o  batismo de fogo de  Senna na Lotus

Senna, o susto com a Lotus  94T no GP Brasil de 1985

Senna, o susto com a Lotus 94T no GP Brasil de 1985

 

A Lotus negra uma imagem querida pelos brasileiros. Ela lembrava o nosso primeiro título mundial, ganho por Emerson Fittipaldi, em 1972, e a nossa primeira vitória na Fórmula 1 no Brasil, em Interlagos, em 1973.

Por isso, quando Ayrton Senna sentou no cockpit do Lotus número 12, no circuito de Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, o público delirou, prevendo grandes vitórias.

Senna foi o primeiro piloto a entrar na pista para os treinos livres de quinta-feira. Tudo era novo: a temporada, o carro, o motor e a motivação, mas seria bazófia prometer vitória naquela estréia sem conhecer bem o carro e acelerando o motor Renault-turbo, o mais beberrão do circo. Senna foi coerente, admitiu brigar muito pelo pódio, mas insinuou que poderia surpreender. “Quem sabe a gente dá um susto neles.”

Até poderia surpreender a concorrência, mas foi ele quem se assustou com a 97T, nos primeiros testes feitos no Rio de Janeiro. Era uma segunda-feira de sol, aquele 17 de fevereiro, e Ayrton já havia feito 75 voltas, 14 a mais do que as 61 do grande prêmio quando, numa das paradas no boxe, levantou o polegar em sinal de positivo. Era a senha que os engenheiros esperavam para fazer alguma alteração importante no Lotus. Não saiu do carro. O francês Gerard Ducarouge, engenheiro-projetista, abaixou-se até o cockpit do carro e conversou com o piloto durante todo o tempo em que os mecânicos fizeram os arranjos. Tudo pronto, o motor roncou e lá foi Ayrton Senna para pista. Deu duas voltas e na terceira, na grande reta, notou-se uma longa e fina língua de fogo que saía do motor de forma intermitente. Quando Senna reduziu para entrar na curva, o turbo deu um estouro abafado, a labareda sumiu por segundos e

voltou maior na aceleração.

Os mecânicos, nervosos, rapidamente pegaram os extintores e ficaram à espera do carro. O Lotus negro parecia um cometa, soltando chamas da traseira que cresciam a cada marcha feita pelo piloto. Na entrada da pista de acesso aos boxes o carro era uma bola de fogo.

Senna já parou com os cintos soltos e como um gato, saltou para fora do carro, num movimento sincronizado com os extintores disparados pelos mecânicos e bombeiros. Sem capacete e pálido, ele e Ducarouge cochichavam no fundo dos boxes observando a 99T coberta de espuma química. Depois veio a explicação. Ayrton decidiu não acionar o extintor de bordo porque o pó químico inutilizaria o motor se estivesse em movimento. Resolveu arriscar-se e trazer o Lotus até os boxes para os mecânicos apagarem o fogo com o motor apagado.

 Senna,, 4º no grid e quebra na corrida na estreia com a Lotus negra

Senna,, 4º no grid e quebra na corrida na estreia com a Lotus negra

Às 8 horas da manhã seguinte lá estava Senna rodando novamente. O que ele não contou na época é que aquele era o último motor para os testes no Rio. Os outros três já tinham embarcado para a França a fim de serem avaliados na Renault. Em resumo, ele colocou a mão no fogo para poder testar o novo carro um pouco antes do GP Brasil.

Na corrida, Senna apoderou-se do Lotus com o espírito do kart e, como prometera, lutou. Mesmo sendo sua estreia na Lotus, conseguiu o quarto lugar no grid, atrás do Ferrari de Michele Alboreto, do Williams-Honda de Keke Rosberg e do Lotus-Renault do seu parceiro de escuderia, Elio de Angelis.

Estava feliz com a nova equipe, sem dúvida, muito melhor que a limitada Toleman da primeira temporada. Mas logo sentiu que tinha um protótipo para conquistar vitórias esporádicas, o título ainda era privilégio de um fechado clube de poucos sócios: Alain Prost, Nigel Mansell e Nelson Piquet.

 

Senna foi à luta. Largou bem, manteve o quarto lugar, e corria no ritmo determinado pela tática do boxe para economizar combustível. Estava a espreita para brigar pelo segundo lugar com Alboreto, no rumo do pódio que havia prometido, quando o motor parou com pane elétrica na 41a das 61 voltas. Ficou na luta e na fotografia do pódio estavam Alain Prost (McLaren-TAG), Michele Alboreto (Ferrari) e Elio de Angelis (Lotus-Renault).

Lemyr Martins

 

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