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Chico Landi

Landi, pioneiro,lenda e mito

Reviva e conheça algumas das belas histórias e lendas deixadas pelo grande Landi, na data em que ele nos deixou a 30 anos. (LM)

O grande Chico, o Pequeno Polegar no meio automobilístico, foi referência dos pilotos brasileiros e um pioneiro que deixou lições de pilotagem e deliciosas histórias de heroísmo e paixão, dos tempos das corridas românticas. Ídolo e admirador de Juan Manuel Fangio, Landi é o único grande piloto que se tornou comendador por bravura e merecimento. Eis algumas de suas aventuras:

 

Ferrari “seminova” de Landi

Chico Landi exultou quando lhe informaram que o presidente Getúlio Vargas tinha mandado comprar uma Ferrari para ele competir no GP da Argentina de 1952.

A máquina, que era o último modelo da 4,5 litros, já tinha sido despachada da Itália para Buenos Aires, aonde Chico iria estreá-la. Mas o desembarque atrasou e o carro só foi entregue ao piloto no porto de Montevidéu, para a corrida de inauguração do autódromo uruguaio de Piriápolis, duas semanas depois.

Chico contava os dias. esperando ansioso pela Ferrari com a qual poderia enfrentar as estrelas mundiais, tais tal qual Juan Manuel Fangio, Alberto Ascari, Herbert Lang, Giuseppe Farina e Froilán González.

Quando a Ferrari foi desembarcada, o locutor Wilson Fittipaldi, o Barão, examinou alguns detalhes e desconfiou que o carro não era novo. O primeiro indício estava na alavanca do câmbio, onde a esfinge do Cavalinho Rampante era quase invisível. Depois Wilsão deu uma olhada nos pedais e notou que o do acelerador estava gasto e, sem Chico perceber, Fittipaldi raspou de leve a tinta da carroceria com uma moeda e descobriu a cor vermelha sob a amarela. Mas de nada adiantou a investigação do locutor, porque Chico Landi não queria acreditar que a Ferrari não era nova, apenas repintada de amarelo. Felizmente, o motor era zero.

 

 

A Ferrari amarela

Chico Landi, quem diria, deixou de competir pela Ferrari por patriotismo. Verdade!

O comendador Enzo Ferrari ofereceu uma de suas máquinas para Landi disputar o recém-criado campeonato de F-1, em 1950. Chico se emocionou com o convite, mas antes de aceitar a honrosa oferta perguntou ao grande capo se poderia pintar a Ferrari de verde-amarelo. Ele queria correr com um carro com as cores do Brasil. Don Enzo não abriu mão da tradição vermelha de suas máquinas e Chico deixou de estrear no campeonato, em 1951, por patriotismo.

 

 

Landi nocauteado a martelo

Chico Landi liderava o GP de Bari de 1949 com alguma folga, quando recebeu o sinal para entrar no boxe e fazer o pit stop de pneus e reabastecer.

Ele parou, mas, como achou que a troca de pneus estava demorando muito, desceu do carro para apressar a operação. Azar seu. O mecânico não percebeu a presença de Chico às suas costas e, na ânsia de apertar os parafusos da roda – operação que era feita a marretadas na chave em cruz –, levantou o martelo de madeira e acertou em cheio o supercílio do piloto. O sangue jorrou da testa de Chico e a corrida acabou para ele por nocaute técnico, 2o minutos antes da bandeirada.

 

 

Piloto hidrofóbico

Em 1955, numa corrida em Interlagos, a Ferrari 250 de Landi incendiou. Experiente, o piloto lembrou que havia tonéis de gasolina no boxe e estacionou o carro no acostamento para evitar uma tragédia. Depois minimizou o feito, explicando que não foi para os boxes com medo de se afogar na água que bombeiros jogariam nele e na Ferrari.

Na verdade, Chico ironizava sua fobia de mar, pois quando teve uma empresa de pesca jamais entrou num barco. Largava as embarcações em Santos e ia esperá-las no porto de Paranaguá (PR), fazendo o percurso de carro para fugir do balanço das ondas.

 

 

Fuga para as vitórias

Entre as várias histórias curiosas de Landi consta a cinematográfica fuga do hospital carioca Miguel Couto. Ele estava internado, após um grave acidente sofrido no GP da Gávea de 1954, quando descobriu que poderia ter a perna direita amputada no dia seguinte. Chico manteve-se atento até a madrugada e, quando o hospital estava em completo silêncio, fugiu com auxílio de Cacau, seu mecânico e fiel escudeiro. Chegou a São Paulo e, por temor à amputação, recusou-se a ser internado numa casa de saúde. Contrariou os diagnósticos, curou-se e acelerou mais 20 anos.

Chico DC3

Chico Landi foi o primeiro piloto brasileiro a se tornar famoso internacionalmente. Venceu o GP de Bari de 1948, na Itália, tornando o feito histórico, porque foi a primeira vitória de uma Ferrari 166, protótipo da futura máquina da F-1.

A façanha de Chico, além dos 106 contos de réis de prêmio – 7000 reais em 2007 –, rendeu-lhe outros dividendos. O mais honroso foi o título de Comendador de Bari, conferido por Giovanni Montini, o cardeal que viria a se tornar o papa Paulo VI.

Já os jornais dedicaram manchetes generosas a Chico. A mais curiosa foi a do Corriere della Sera, de Milão, que estampou este título: “Landi mais veloz que o DC3”, louvando os 280 km/h que Chico atingiu em Bari – 40 quilômetros mais rápido que a velocidade máxima do Douglas DC3, avião moderníssimo naquela década.

 

 

O recorde dos roncos

A vitória de Chico Landi no GP de Bari de 1948 animou a Rádio Panamericana de São Paulo a realizar a primeira transmissão de uma corrida de automóvel da Europa para o Brasil. O locutor Wilson Fittipaldi, velho amigo de Chico, foi o enviado à Itália, para transmitir o GP de Bari de 1949.

Por falta de acomodação Landi e Wilsão ficaram no mesmo quarto de hotel e dormiram numa cama de casal. Porém os roncos de Wilsão não deixavam o piloto dormir e ele resolveu cronometrá-los. Depois acordava o amigo e lhe mostrava o tempo: “Olha aqui Wilsão, você roncou em 3 minutos e meio’.

Mas, como Fittipaldi continuava a roncar, Chico voltava a despertar o locutor para dar-lhe os parabéns por ele ter baixado o recorde para 2 minutos.

Chico tanto insistiu que acordou Wilsão e conseguiu dormir, enquanto o amigo se esforçava para não bater novo recorde.

 

 

Fangio, com carinho

Juan Manuel Fangio, o pentacampeão argentino da Fórmula 1, enviou uma carinhosa carta a Chico quando o brasileiro abandonou as pistas.

Fangio escreveu: “Guardo recordações eternas. Nós dois nascemos com o automobilismo. Você, seis anos antes, é um modelo clássico, imortal. Lembro com satisfação o nosso ponto de largada, já longe da memória, e que nossa chegada está logo adiante. Creio que vencemos na nossa missão”.

Saudações, do amigo e admirador,

J.M. Fangio”

 

 

A mágoa sem bandeira

Chico Landi recebeu muitas homenagens durante a carreira. A mais demagógica veio da Câmara Municipal e da Prefeitura de São Paulo, dando seu nome à curva 1 e à da descida do Lago da pista de Interlagos, através do decreto 35133, de 17 de maio de 1995. Um preito muito pequeno para o enorme Chico Landi, o herói que morreu com a mágoa de não ter dado a bandeirada de vitória em nenhum dos 17 GPs do Brasil de Fórmula 1 disputados na sua era.

 

O último desejo

Chico Landi deixou expresso que seu último desejo: “Ter as cinzas espalhadas na reta de chegada de Interlagos”.  Os filhos Luiz e Rita realizaram a vontade do campeão.

 

 

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