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Piquet 500 Austrália 1990

Piquet, com o Benetton B190 da vitória  na Austrália em 1990, virou quadro na galeria da FIA

 

A última vitória de Nélson Piquet na Fórmula 1 aconteceu GP do Canadá de 1991, mas foi na penúltima, na Austrália, em 4 novembro de 1990, na badalada festa do Grande Prêmio 500 da história da Fórmula 1, que ele deu o último show com sua marca registrada de técnica e malandragem. Nesse 2001, que a emoção minguou e o campeonato não passou de uma impiedosa surra de  Michael Schumacher em David Coulthard, animada pela participação de Mika Hakkinen, Ralf Schumacher e Rubinho Barrichello, como convidados especiais, nada mais justo relembrar o estilo Nélson Piquet e o tempero que ele dava ao circo.

Louve-se a importância da F-1 como laboratório do automóvel e a velocidade da tecnologia que é, na essência, a razão da sua existência, mas também não é apelo ao paradoxo dizer que falta paixão nas pistas.

O GP 500, glória desejada pela unanimidade dos pilotos da época, foi uma cobiça que levou Ayrton Senna e Gerhard Berger (McLaren), Alain Prost e Nigel Mansell (Ferrari) os primeiros do grid, a digladiarem-se na pista e maldizerem-se depois.

Piquet foi perfeito desde a largada. Saiu, com seu Benetton B190 em sétimo lugar, pulou rapidamente para o quinto e ficou na tocaia, driblando os destroços da briga de Senna, Berger, Prost e Mansell, preocupado em poupar o carro na desgastante pista urbana de Adelaide.

Parecia que Piquet tinha ensaiado cada movimento do grand finale e deixasse para os últimos metros dos 306,180 km da corrida, para ser notável e impiedoso com Nigel Mansell que, humilhado pela anunciada demissão da Ferrari, naquele grande prêmio, jogou tudo para levar troféu do 500 GPs, para casa, vingando-se de Maranello

Malandro, Piquet apostou no desespero do inglês e esperou o bote da ultrapassagem. Uma manobra que seria mera rotina de corrida, afinal Mansell tinha um motor mais potente e carro melhor. Mas foi ai que o Leão escorregou na catimba do brasileiro.

“Eu sabia que era só atiçar que ele (Mansell) vinha. E o babaca veio”

Piquet conta que ocupou o trilho limpo da pista e escancarou a parte suja para Mansell executar a ultrapassagem na última curva. Depois fechou o inglês, lícita e com milimétrica precisão, numa manobra que, além da vitória, valeu a Nélson Piquet o destaque especial na galeria da FIA como o vencedor do histórico 500o Grande Prêmio da Fórmula 1, disputado em Adelaide, Austrália.

Coisa de gênio. Requinte à Nélson Piquet Souto Maior, o tricampeão que deixou saudades desde 1991, ao retirar-se aos 38 anos com 207 grandes prêmios disputados, 23 vitórias e na direção de sua estátua, erguida em culto ao automobilismo arte. (LM)

 

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