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Mika Hakkinen cin o McLaren MP de 1995

Mika Hakkinen 1995

 

Passavam  dois minutos das dez horas da manhã do dia 10 de março de 1996, quando Mika Hakkinen  saiu com seu McLarem dos boxes para dar sua primeira volta no circuito de Melbourne, pista do  GP da Austrália, na abertura da temporada

– Foi um dia muito feliz. Uma coisa maravilhosa que eu  pensei que não ia acontecer numa mais,  – ditou o piloto para o seu livro finlandês sobre a carreira na Fórmula 1. Um desabafo compreensivo para quem escapara da morte três meses antes, no mesmo GP da Austrália, na pista urbana de Adelaide.

Aquele treino do Sábado 11 de novembro de 1995 Mika Hakkinen jamais vai esquecer. Ele se preparava para dar a quarta volta na tomada de tempos para a classificação quando o seu McLaren saiu do traçado, tocou numa saliência e decolou na curva Matthouse, indo espatifar-se contra a muralha de proteção. Mika desmaiou no choque e quando foi retirado do carro o seu estado era desesperador. A língua estava quase decepada. A arcada dentária e a base craniana fraturadas e havia sangue nos pulmões.

Quando ele chegou ao Royal Adelaide Hospital, foi submetido a impulsos elétricos para reanimar o coração e  induzido a um estado de inconsciência, um coma controlado para evitar estresse orgânico.

Sua recuperação, entretanto, foi surpreendente. Submeteu-se com incrível dedicação a  infindáveis sessões de fisioterapia, psicologia, exercícios de coordenação motora e reflexos visuais e auditivos.  Como na pista, foi brilhante em todos os testes. As únicas seqüelas ficaram nos olhos. Durante seis meses Hakkinen dormiu com o olho direito aberto e só havia lágrimas no esquerdo.

Vencedor desde os seis anos ele foi, pentacampeão kart da Finlândia e da Fórmula Ford 1600 sueca e Nórdica em 1967. Mudou-se para a Inglaterra para vencer na Fórmula Opel-Lotus e F3, abrindo as portas da Fórmula 1. Entrou no circo pela Lotus em 1991 que, apesar de decadente, serviu para Mika confirmar as qualidades que o comparavam a Keke Rosberg, seu conterrâneo campeão mundial de F1 em 1982.

Suas performances foram além do carro valendo-lhe um contrato  com McLaren. Deveria entrar como companheiro de Ayrton Senna, porém por conveniências de patrocínio a McLaren aceitou a ingerência da Marlboro que impôs a vinda de Mike Andretti da Indy, relegando Mika a condição de test driver. Como consolação, permitiram que ele disputasse o Campeonato Europeu de Porsche, nas preliminares da F1, do qual, logicamente, foi campeão.

O fracasso de Andretti e a saída de Ayrton Senna para a Williams, em 1994, colocaram Mika Hakkinen no olho do furacão. Era peça mais importante no megaconsórcio McLaren-Mercedes Benz para desbancar a hegemonia da Williams.

A sorte da McLaren ficou nas mãos de um piloto saído do coma, dizia-se nos bastidores da F1, no início da temporada de1998. E não poderiam estar em melhores mãos – e pés – porque Mika foi muito forte durante todo o campeonato. Enfrentou com garra coragem e competência o duelo contra o bicampeão Michael Schumacher. Decidiu o título com o alemão no GP do Japão, na última corrida do ano, mas venceu oito grandes prêmios contra seis de Schummy, tornando-se  o mais novo carrasco da Ferrari.

Sem dúvida, um titulo de campeão merecido, para quem, antes teve de vencer uma dura prova  contra a morte. (LM)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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