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Emerson com o Lotus em Interlagos em 1972

Fittipaldi Lotus 71

Interlagos precisou de uma corrida amistosa, em 1972, para ser homologado como circuito de grand prix. Mas a primeira imagem bem brasileira na Fórmula 1 surgiu em 1973, quando Jackie Stewart, o grande adversário de Emerson Fittipaldi na disputa do título de 1972, apareceu em frente aos boxes de Interlagos e foi recebido pelo povão das arquibancadas com um estrepitoso: “1, 2, 3, Stewart é freguês”.

“Sou o quê?”, perguntou o escocês. Traduziram e ele, britanicamente, tirou o indefectível boné preto e curvou-se reverenciando o público. Naquele momento, Interlagos entrava oficialmente no circo de Fórmula 1  e à brasileira, com herói, vilão e a vitória no GP Brasil de Emerson Fittipaldi com o Lotus preto e dourado.

 

A vez

do Brasil de 1975

Naquele domingo Interlagos viveu uma tarde mais comovente  da sua história. Pela primeira vez  consagravas-se uma dobradinha brasileira na F-1. José Carlos Pace, o Moco,  venceu a bordo de um Brabham-Ford e Emerson Fittipaldi, de McLaren, emplacou o segundo lugar. Foi um delírio quando eles, empunhando bandeiras brasileiras, ouviam o coro de 50 mil brasileiros entoar o hino nacional cortado pelo refrão …. é campeão.

A imagem mais emocionante que ficou daquela vitória foi, sem dúvida, a fotografia de Moco com a coroas de louros. A última usada por um piloto de F-1, banida por cobrir os patrocínios do macacão.

 

GP Brasil 1991

24 de março

Ayrton Senna não  no seu 31o aniversário na antevéspera da corrida. Queria ganhar de qualquer maneira aquele GP do Brasil. No sábado, foi dormir muito cedo e, assim que adormeceu, sonhou que corria na frente e o carro era cada fez mais veloz. Estava num mundo azul, a pista se fundia com o céu e as laterais eram apenas borrões que percebia pelo canto dos olhos. Tinha a impressão de deslizar, mas também flutuava e quando virava o volante surgiam curvas que tomava com estupenda facilidade.

“O asfalto brilhava e passava por baixo do carro como se fosse um tapete muito suave, perfeito para guiar”, me contou Senna, no perfil que fiz para a revista Playboy, em março de 1994.

Acordou sorrindo e assim que voltou a dormir o sonho se repetiu e, dessa vez, reconheceu a pista, era a de Interlagos, mas continuava azul.

Seria a oitava tentativa de Ayrton Senna vencer no Brasil e toda concentração era pouca. Conseguiu a pole position à frente dos velozes Williams-Renault de Mansell e Patrese, e partiu na frente liderando fácil até a 65a volta. O sonho da noite anterior estava se realizando. De repente, o roteiro mudou. No sonho, a terceira marcha não escapou. Ele levou um susto e se sentiu traído pela realidade. Tentou engatar a quarta marcha e ela não entrou. Sentiu um frio na barriga e a cabeça latejou. Tempos depois ele não lembrava se havia desatado em palavrões ou rogado a Deus.

Ayrton sempre rezava antes das largadas. Normalmente um Pai-Nosso e uma Ave-Maria, mas garantia que não fazia preces para ganhar corridas.

“Sou um crente convicto em Deus, mas meus pedidos são outros. Em muitos grandes prêmios eu me vi em situações difíceis e Jesus me mostrou a velocidade certa na reta e exata na curva”.

Na reta dos boxes de Interlagos, mostraram-lhe a placa de +7 L6, o que significava que tinha sete segundos de vantagem sobre Riccardo Patrese, segundo colocado, a seis voltas do final.

Respirou fundo e aí rezou “vai dar, vai dar… tem de dar”. Percorreu mais duas voltas e quando viu a segunda placa a notícia não era boa +4 L3. Tinha perdido três segundos em três voltas. Ainda tentou fazer as contas, multiplicar as voltas restantes pelos segundos que poderia perder, mas sentiu outra agulhada nas têmporas ao colocar a quinta marcha e esta também não encaixou. Certificou-se, então, que ficara só com a sexta marcha.

“Se fosse numa outra corrida até me controlaria mais, mas em Interlagos, com o povo em pé, me ajudando a acelerar, eu não podia jogar a toalha. Tinha de vencer, ia vencer”, decidiu-se Ayrton.

Fixou os olhos no horizonte e não olhou mais as placas de sinalização. Não deu ouvidos ao rádio de bordo, desligou-se dos instrumentos luminosos do painel e, onipotente, acelerou para um acerto de contas com o carro e a realidade. Decidiu que o sonho ia prevalecer.

Ayrton Senna foi bandeirado à frente do Williams-Renault de Riccardo Patrese a insignificantes 2 segundos e 999 milésimos.

Um ano depois, na semana do GP do Brasil de 1992, ele me disse que sentiu o planeta girar em torno dele naquele domingo.

“Experimentei um imenso prazer em viver, em estar em Interlagos, na minha terra e vendo a minha gente feliz. Juraria que conhecia cada uma daqueles milhares de caras sorridentes das arquibancadas. Não foi a maior vitória da minha vida, mas foi a mais sacrificada. Se aquele era o preço de ganhar no Brasil, foi barato. Valeu.”

 Aí voltou à Terra e deliciou-se com a realidade.

 

 

GP Brasil de 1977

O cemitério da curva 3

 

Interlagos bateu um recorde de confusão no grande prêmio de 1977. Dos 22 carros que largaram, apenas sete terminaram a prova; seis tiveram problemas mecânicos e nove  transformaram  numa formidável sucata.

A causa da catástrofe foi o asfaltamento do trecho da curva 3, feito com material impróprio. O composto amoleceu durante a corrida e foi derrubando os mais habilidosos pilotos do mundo.

Vittorio Brambilla foi quem abriu, na 11ª volta, o festival de batidas e rodadas que transformaram a curva 3 num ferro-velho milionário. Clay Regazzoni, Ronnie Peterson, Jochen Mass, Hans Binder, Patrick Depailler e John Watson seguiram Brambilla. Quando chegou a vez de Jacques Laffite bater, a corrida já era cômica. Mas foi o brasileiro Carlos Pace quem garantiu a gargalhada final. Moco, depois de carimbar a parede da famigerada curva, com o Brabham-Alfa Romeo, resolveu pegar o volante da ambulância e se transportar até o hospital dos boxes para o atendimento médico obrigatório.

Carlos Reutemann (Ferrari), James Hunt (McLaren) e Niki Lauda (Ferrari) subiram ao pódio. Emerson Fittipalid (Copersucar) Gunnar Nilson (Lotus) e Renzo Zorzi (Shadow) foram os outros sobreviventes que somaram pontos.

 

 

GP do Brasil 1982

Piquet nocauteado

 

Nelson Piquet empalideceu, se apoiou nos ombros de Alain Prost e Keke Rosberg, dobrou os joelhos e desmaiou em pleno pódio do GP do Brasil de 1982, numa cena inédita em fim de grande prêmio. Ele foi a nocaute depois de uma hora e 42 minutos de esforço no circuito de Jacarepaguá, pagando caro a opção de competir com pneus e suspensão superduros, que deixavam o Brabham-Ford competitivo, mas difícil de guiar.

Por cinco minutos Piquet ficou estatelado atrás do pódio, atendido por dois médicos e uma enfermeira que massageavam o seu peito e pulsos, enquanto Keke Rosberg e Alain Prost, segundo e terceiro colocados na corrida, abanavam o brasileiro.

Ainda grogue, e a pedido dos fotógrafos, Piquet ainda conseguiu estourar o champanhe, mas só teve fôlego para a comemoração sentado no degrau mais baixo do pódio.

Pena que tanto esforço tenha valido tão pouco, porque a Federação Internacional de Automobilismo cassou a vitória do brasileiro. Na aferição técnica, os comissários constataram que o Brabham de Piquet usou um recurso irregular: um reservatório extra de água, para atingir o peso mínimo regulamentar de 580 quilos na largada e que lançava o líquido fora durante a prova.

Alain Pros foi declarado vencedor post corrida.

 

 

GP do Brasil de 2003,   

Um vencedor derrotado

Um ficcionista teria que estar inspirado para imaginar um roteiro mais espetacular que a realidade para o GP do Brasil de 2003. Para começar, houve recorde de presença do safety-car na F-1, com cinco entradas na pista. Depois Rubinho Barrichello chegou a levantar a galera nas oito voltas que liderou, mas ficou no meio do caminho sem gasolina. A corrida foi tão acidentada que terminou com bandeira vermelha na 53a das 71 voltas previstas, após uma espetacular rodada e batida de Mark Webber, que desintegrou o Jaguar-Ford. Porém, antes do acidente do australiano bateram Ralph Firman, cujo Jordan teve solta a roda dianteira direita, que voou por 20 metros e foi atingir em cheio o Toyota de Olivier Panis. Ralf Schumacher, Jarno Trulli e Jenson Button aumentaram o desmanche de Fórmula 1 na saída da curva do S do Senna, precedendo as rodadas de JP Montoya, Antônio Pizzonia, Justin Wilson, Jos Verstappen e Michael Schumacher.

Até o pódio do GP Brasil de 2003 foi original, pois só teve dois pilotos. Fernando Alonso, o terceiro colocado, não compareceu à tribuna de honra porque estava a caminho do hospital para tratar de uma forte luxação na perna esquerda. Mas ainda houve outras exceções: Kimi Raikkonen, o vencedor, perdeu a corrida depois da festa de comemoração. Ele foi declarado vitorioso, subiu ao pódio, estourou o champanhe, mas teve a vitória cassada em favor de Giancarlo Fisichella. Um triunfo que o italiano só comemorou duas semanas depois, no GP de San Marino, sem pódio nem champanhe e com indesculpáveis desculpas da FIA, por ter errado a classificação. (LM)

 

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