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Depoimento exclusivo de Ayrton Senna

Senna Fenix 1991

O tri foi a minha melhor temporada.

 

“Sem dúvida nenhuma, 1991 foi o melhor ano da minha carreira. A colheita foi ótima. Nessa temporada, consegui tudo aquilo pelo que lutei até hoje: uma credibilidade enorme por parte de todos que trabalham comigo, num ambiente saudável, de respeito e amizade. Junto com o terceiro título mundial e as 60 poles, essa conquista pessoal fez desta temporada a que me deu maior satisfação. Além disso, o campeonato deste ano foi limpo, disputado dentro da pista. O profissionalismo demonstrado por todos os envolvidos foi indiscutível. Acredito que isso seja um exemplo para todo mundo.

“Os melhores momentos do ano, para mim, aconteceram em Interlagos, quando venci o meu primeiro GP no Brasil com apenas uma marcha nas últimas sete voltas, e no Japão, quando conquistei o título. Depois que o Mansell parou, pude finalmente deixar de pensar nos pontos e guiar como gosto: pé no fundo com prazer. Os momentos mais importantes depois das quatro primeiras vitórias, fundamentais na conquista do tri, foram os dois primeiros lugares na Hungria e na Bélgica. Essas vitórias, inesperadas, deram espaço para os técnicos e engenheiros da Honda e da Shell respirarem para encontrar as soluções que nos permitiram vencer a luta. Eles fizeram um trabalho fantástico. Os japoneses construíram um motor totalmente novo em apenas um mês. Curiosamente, o ano que me deu mais prazer foi também o que me fez trabalhar com mais dureza. No final do ano passado, eu disse que 1991 não seria mais duro do que 1990. Mas foi — e muito mais.

“Para a próxima temporada, teremos um carro totalmente novo em todos os aspectos: transmissão, motor, suspensão, aerodinâmica… tudo. Por razões óbvias, não posso adiantar nada agora, mas estou otimista. Se conseguirmos introduzir todas essas novidades com boa confiabilidade, o carro andará como um rojão. E a briga pelo tetra será fantástica, pois os Williams-Renault virão ainda mais fortes. Eles têm um pacote confiável e vão evoluir. De minha parte, confio nos técnicos da equipe Honda-McLaren para que essa briga, embora sensacional, não seja tão difícil como a deste ano. Não, desta vez eu me recuso a acreditar em tantas dificuldades.

“Mas também não será fácil, sei disso. Portanto, o que preciso agora é de um longo descanso para recuperar as energias e a motivação necessária para brigar pelo quarto título. Sei que tenho condições de buscá-lo e vou dar o meu máximo para consegui-lo. Cada temporada, porém, tira tanto de mim que é impossível saber o que pode acontecer depois de cada luta. No ano que vem tem mais.

                                                           Ayrton Senna

                                                           Dezembro de 1991

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