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Lauda espanha 74

 Lauda, com Regazzoni e Emerson, no pódio de Jarama, Espanha  

Luca di Montezemolo, então diretor esportivo da Ferrari, causou surpresa geral quando anunciou que seus pilotos para 1974 seriam Clay Regazzoni e Niki Lauda, Não por Regazzoni, um piloto já experiente, mas por que Lauda? Afinal, aquele austríaco de 25 anos não fora um fenômeno nas fórmulas menores e também não brilhou em seus dois primeiros anos na Fórmula 1. Tinha estreado a bordo de um March-Ford 711, no GP da Áustria de 1971, e disputado o campeonato de 1973 pela BRM, sem fazer nada de notável além de um discreto quinto lugar no GP da Bélgica.

Aí surge Montezemolo, dá aura de primeiro piloto àquele austríaco caladão de dentes incisivos à mostra e profetiza: “Ele vem para a Ferrari para ser campeão”. O circo então ficou de prontidão, à espera da resposta de Andreas Nikolaus Lauda.

Já na terceira corrida, com a Ferrari 312B3, no GP da África do Sul, Lauda fez a volta mais rápida e marcou a primeira das nove pole positions conquistadas nos 15 grandes prêmios de 1974. Era um indício de que a Ferrari tinha acertado na aposta, e o primeiro grande momento do jovem austríaco ia acontecer no GP da Espanha, em Jarama, na 30ª corrida de sua carreira.

Niki Lauda fez tudo o que era possível: pole position, volta mais rápida, e consagrou a primeira vitória numa corrida perfeita. No pódio, ao lado de Clay Regazzoni e Emerson Fittipaldi, o austríaco parecia criança. Assediado por um batalhão de jornalistas italianos, Niki tinha dificuldades em reproduzir os detalhes daquela primeira vitória que, para ele, parecia uma façanha simples. Elogiava a máquina, agradecia o trabalho dos boxes, com deferência especial ao carismático Hermano Coghi, seu mecânico-chefe e decano na Ferrari. A festa foi longa e Lauda suportou tudo olimpicamente: posou para centena de fotos, foi paciente nas entrevistas, curtindo o primeiro triunfo com risos e incisivos à mostra, como se os dentes não lhe coubessem na boca.

A profecia de Luca di Montezemolo seria questão de tempo: Niki Lauda se transformou no homem-computador da F-1 pela regularidade da pilotagem. Foi tricampeão mundial, venceu outros 24 grandes prêmios e o triunfo se tornou uma rotina em sua vida, a ponto de na 25ªvitória, o GP da Holanda de 1985, ele sequer  compareceu no pódio.(LM)

 

 

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