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Monte Carlo, 31 de maio 1987, Sena com a Lotus amarela da 1ª vitória no Principado

Senna Mônaco 1987

Era um dia de Ayrton Senna. Foi segundo no grid e manteve-se nesta posição por 29 voltas, pressionando o líder Nigel Mansell (Williams-Honda). Assumiu a ponta e por 49 voltas desfilou sem sustos até a bandeirada consagradora, com 33 segundos de vantagem sobre Nelson Piquet (Williams-Honda), o segundo colocado, fechando a quarta dobradinha brasileira na F 1.

Fazia um ano — desde a vitória no GP de Detroit de 1986 — que Ayrton Senna não subia ao topo do pódio. E nada mais especial do que voltar à glória no badalado Principado de Mônaco. E ele se sentiu rei, com direito de abusar na comemoração, indo ao exagero de embriagar-se com a proeza e dar um banho no planeta. Como era impossível, contentou-se em batizar de Moet et Chandon os vestidos de milhares de dólares das princesas Stéphanie e Caroline, e o impecável terno cinza-pérola do príncipe Rainier, numa idiossincrasia nunca registrada num pódio de Fórmula 1.

Três horas antes dessa cena, a vitória era um sonho distante para Ayrton. Bem cedo, ele telefonou para a família no Brasil — coisa que fazia só depois das corridas — e ainda comentou que estava confiante. “Ganhar? Em Mônaco? Onde jamais um piloto brasileiro tinha vencido, era um devaneio”.

Depois se lembrou que em 1984, sua temporada de estreia na F 1, ele teria vencido se a corrida, com um fraco Toleman-Hart, não fosse interrompida por causa da chuva, quando mandava na prova.

Naquele dia, Mansell (Williams-Honda) largava na pole position, com Senna ao seu lado. As apostas diziam que ia acontecer a reprise das cenas de pugilato da corrida anterior, quando Senna e Mansell foram às vias de fato, depois de baterem no GP da Bélgica. Mas cada corrida tem sua história e o GP de Mônaco de 1987 foi apenas até a 29a volta na biografia de Nigel Mansell, quando seu motor quebrou.

Aquele 31 de maio era data para a história de Ayrton Senna, e ele deliciou-se com cada caraterística da pista urbana da Cote d’Azur. Divertiu-se na chicane da Saint Devote, deslizou com segurança pelos “S” da piscina, foi o mais exato nas curvas do Cassino e deu aula na tomada da fechada Mirabeau. Passou 78 vezes pelo túnel imitando a técnica de Fittipaldi nos anos 70. Emerson fechava um olho antes de entrar no túnel e abria ao sair. Improvisava um efeito fotocromático para evitar a cegueira do impacto da luz e da sombra nos olhos. Com esse segredo tinha uma ótima visão quando dava de cara com o sol na descida para o porto, a 250 km/h — o trecho de maior velocidade da pista.

Para se ter uma ideia do desafio que é pilotar em Monte Carlo, a pista tem no máximo nove metros de largura. Os carros passam a centímetros do guardrail e há poucos pontos de ultrapassagem. Outra dificuldade nos 3 328 metros do circuito era fazer nada menos do que 2 600 trocas de marchas por grande prêmio. Uma dificuldade que Ayrton Senna tirava de letra, pois como canhoto sempre tinha a mão boa, a esquerda, firme no volante, enquanto executava as marchas com a direita. Enfim, Mônaco começava a conhecer o seu rei, porque Ayrton elegeria o Principado como a capital da sua majestade de piloto. Mas com todo respeito e sem direito a repetir o banho nos membros da aristocracia da Família Grimaldi. (LM)

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