Site Oficial

Detroit, 21 de junho de 1987

Senna  Lotus Detroit  1987

Senna com  o Lotus 99T da vitória nos Estados Unidos-Detroit

      Foi a segunda vitória de Ayrton Senna com o motor Honda em quinze dias. Dessa vez, ele fez uma aposta no braço e na coragem. Como em Mônaco, foi o segundo no grid e limitou-se a manter Nigel Mansell (Williams-Honda) na mira por 33 voltas. Quando o inglês parou para o pit stop, Senna assumiu a liderança. Ao contrário dos outros 26 pilotos ele não trocou os pneus e livrou a vantagem necessária para completar as 63 voltas na frente.

Não foi absolutamente uma surpresa a vitória de Ayrton, pois era um repeteco do ano anterior. O que realmente maravilhou quem assistiu aquele GP dos Estados Unidos foi o show do brasileiro da Lotus, que deu uma lição de inteligência naquela pista urbana e perigosa, mesclando técnica, arrojo e garra.

Senna sabia que em Detroit todo o cuidado é pouco. Por isso, deixou que Nigel Mansell atropelasse o ritmo, gastasse os pneus, desgastasse os freios, se lambuzasse com a liderança na primeira metade da corrida e depois de tanto esforço o seu Williams-Honda caísse de produção, como seria normal e ocorreu com o rebaixamento do inglês para a quinta posição, com a segunda e quarta marcha bloqueadas.

Se esta era uma tática consciente e malandra, havia ainda outros procedimentos técnicos. Pisar mais fundo assim que o inglês parasse para a troca de pneus era um. Também combinou com Gerard Ducarouge, seu engenheiro-chefe, que se a Lotus estivesse bem e ele com o braço em forma, não fariam o pit stop. Foi pensado e feito: Senna não parou e ainda ganhou preciosos segundos com a desastrosa parada do inglês, que deu o azar de ter uma roda presa nos boxes. Então, só restou desfilar seu carro amarelo pelas ruas de Detroit. Um passeio tão convincente que Gerard Ducarouge e Peter Warr, diretor esportivo da Lotus, comemoraram efusivamente a vitória, festejando Senna como o único piloto capaz de triunfar naquele circuito sem trocar pneus. “Ele é um monstro, um ET”, berrava eufórico Ducarouge, depois da bandeirada.

Piquet caiu várias posições, mas recuperou-se para formar a dobradinha com Senna. Uma façanha que levou o lendário tricampeão Jackie Stewart, comentarista especial da rede norte-americana de televisão ABC, a um desmesurado elogio: “Tenho certeza de que esses dois brasileiros vão mandar na F1 nos próximos anos”. Palavras proféticas de quem realmente sabia o que estava falando.

Foi uma festa brasileira que Ayrton Senna tratou de completar de bandeira verde e amarela em punho na volta da vitória. Um gesto tão aplaudido, como o de 1986, e que começou a entrar para a tradição desse grande prêmio.

Enquanto Senna não cabia em si, feliz com sua corrida e a resistência do motor Honda, notava-se que Nelson Piquet concentrava-se no coro de poucos, mas barulhentos jovens brasileiros que entoavam o tradicional: um, dois, três, quatro, cinco mil, queremos que o Mansell vá pra p… q… p…

Nos bastidores já se comentava a saída de Piquet da Williams, a ida de Alain Prost (3o em Detroit) para a Ferrari e de Ayrton Senna para a McLaren, cuja palavra, dizia-se, já estava empenhada com a Marlboro.

Embora todos os boatos acabassem se concretizando ao longo do tempo, o que havia de real era a exibição de Senna nas ruas de Detroit, onde o automóvel é o grande símbolo. E tão logo o gigantesco painel luminoso da cidade apagou o resultado do GP, iluminou-se outra importante informação, referente à produção anual da indústria automobilística de 1987: naquele momento, acabava de ficar pronto o automóvel de número 3 963 199.

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>