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História das Fotos de Lemyr Martins

Brilha Hamilton, a nova estrela da F-1

Hamilton Malásia 007 b

Hamilton à frente das Ferrari

Hamilton Malásia 07

A 1ª dobradinha com Alonso na McLaren, Sepang 2007

Fernando Alonso venceu, Kimi Raikkonen foi comportado, Felipe Massa errou e a McLaren sobrou, no GP da Malásia. Mas o grande artista da corrida foi Lewis Hamilton. O novato inglês, nascido no Caribe, de 22 anos, dois pódios e 14 pontos em duas corridas, é a mais grata revelação da Fórmula 1 2007, e um fenômeno na história da categoria.

Lewis demonstrou, pelo menos quatro virtudes que fazem um grande piloto: foi atrevido na largada, saiu de 4º, para ultrapassar Felipe Massa, o pole position, e Kimi Raikkonen.  Corajoso porque resistiu ao assédio desesperado do brasileiro nas seis primeiras voltas, dando até um “X” em Massa. Técnico, por que não cometeu nenhum erro nas 56 voltas da prova e, finalmente, consciente por saber fazer, com competência, o jogo de equipe, propiciando a Fernando Alonso a 16ª vitória, seguramente a mais fácil da carreira do  bicampeão. E, de quebra, consagrou uma dobradinha espetacular da McLaren, em Sepang.

Além de tudo isso, o jovem piloto negro, termina a segunda corrida da vida na Fórmula 1, em 3º lugar no campeonato, com 14 pontos.

O ninguém podia imaginar foi a superioridade dos  McLaren MP4-22 sobre as  Ferrari 2007, no circuito malaio. Foi tão claro que Kimi Raikkonen jamais teve ânimo para brigar pelo segundo lugar com Lewis Hamilton, que correu a sua  frente desde a 7ª, das 56 voltas. Tampouco o Iceman poderia chegar em Fernando Alonso. Seria uma missão impossível, já que o asturiano fechou a corrida com 23 segundos de folga Raikkonen.

Já Felipe Massa soube muito cedo que estava enfrentando um novo McLaren.  Depois de cair para  3º na largada, ele tentou recuperar-se de faca nos dentes. Foi o melhor momento do GP da Malásia. Massa foi com tudo para cima de Lewis Hamilton, mas encontrou um obstáculo intransponível no inglês. Deu um show de combatividade, tentou de todas as formas a ultrapassagem, até errar a freada e sair da pista. Foi uma forma ingrata, mas clara,  de descobrir que tinha carro superior e um bom piloto à sua frente.

Felipe caiu para 5º, atrás do emergente BMW de Nick Heidfeld, e teve que se contentar nessa  colocação até o fim da corrida.

E vale um aviso especial a Fernando Alonso. Cuide-se bicampeão, Lewis Hamilton pode querer passar de coadjuvante a artista principal, uma decisão que ele parece ter preferência de tomar na pista. Felipe Massa que o diga.

Perdão pelo lugar comum, mas naquele GP da Malásia de 2007, estava nascendo uma nova estrela na F-1. E o mais importante, a primeira estrela negra. (LM).

 

 

Fittipaldi 1975 A

Emerson Fittipaldi com o McLarem M23 da última vitória em Silverstone 1975

No GP da Inglaterra de F-1 de 1975, fazia o mesmo tempo da estreia de Emerson Fittipaldi na Fórmula Ford, em 7 de março 1969. Silverstone  estava cinzenta e os pilotos de olho no céu e pista. Emerson estava em terceiro, controlava bem a prova atento às nuvens pesadas que anunciavam tempestade iminente.

O McLaren M23 estava na mão, rendia bem, mas a chuva ia mudar muito a corrida e, se de médico e louco cada um tem um pouco, os pilotos têm muito de meteorologista.  Eis o seu depoimento à Quatro Rodas, sobre a vitória no GP da Inglaterra em 19 de julho de 1975.

“Eu estava correndo com pneus lisos, apropriados para pista seca, mas ao fazer a curva no final da reta senti a garoa no meu capacete. Faltavam cinco quilômetros e meio para chegar ao meu boxe, distância em que teria que resolver se entrava para mudar os pneus já naquela volta.

Decidi pela mudança. Entrei no boxe e coloquei pneus biscoitos para pista molhada. Notei que do lado oposto da pista a chuva caía pesadamente. A essa altura, alguns pilotos resolveram trocar os pneus, mas os ponteiros teriam que dar a volta inteira com pneus lisos numa pista muito escorregadia e, como eu já tinha feito a troca, assumi a liderança.

A pista tinha tanta água que, mesmo com pneus apropriados, o carro entrava em aquaplaning. No entanto, eu vinha forte, chegando a desenvolver até 290 km/h, desviando de vários carros que surgiam de repente à minha frente.

O McLaren continuava bem na pista molhada, mas eu fazia as curvas com cuidado. De repente, vi no final da reta meia dúzia de carros tinha batido, eram aqueles pilotos que deixaram de trocar os seus pneus lisos. Houve uma grande confusão, mas, felizmente, todos pararam fora da pista.

Quando cruzei a linha de chegada, era o líder oficial da prova; logo depois ergueram a bandeira vermelha, encerrando a corrida na 56a volta das 67 previstas e fui declarado vencedor. Um prêmio por ter tomado a decisão certa no momento certo e como resultado venci a corrida”.

Aquela foi a 14a e última vitória de Emerson Fittipaldi na Fórmula 1. Só voltaria a um pódio da F-1 no segundo lugar do GP do Brasil, no Rio de Janeiro, com o Copersucar-Fittipaldi, em 28 de janeiro de 1978.(LM)

 

Barriclello Monza 2009

Monza 2009

Barriclello Monza 2002

Ferrari, 2004

Barriclello Monza 2009 Brown

Brawn-Mercedes, 2009

 

Rubinho Barrichello é um dos poucos pilotos da história da Fórmula 1 que cometeram a proeza de vencer três  Grandes Prêmios da Itália no legendário circuito de Monza. Ele emplacou duas vitórias a bordo da Ferrari e uma com o Brawn-Mercedes, todos estratégias  diferentes:

2002- Primeira vitória em Monza

Rubinho Barrichello partiu de 4ª posição no grid para emplacar a sua primeira vitória em Monza. Largou atrás de Juan Pablo Montoya, Williams-BMW, o pole position, Michael Schumacher, seu parceiro de Ferrari e Ralf Schumacher, Williams-BMW. Seguiu o trio da frente de perto para tomar uma liderança após o abandono de Montoya, a rodada de Ralf e ao superar Schumi, numa bela estratégia de corrida.

Venceu em casa, dando a tifosi um presente espetacular que o fez ir ás lágrimas quando viu o mar vermelho comemorar a sua vitória.

“É fantástico ver do pódio a festa da multidão de fãs da Ferrari te saudando, comemorando uma vitória da escuderia que eles amam. É imaginável o quanto é gratificante possibilitar a essa alegria. Foi a minha primeira vitória em Monza, mas jamais esquecerei essa corrida”, desabafou Rubinho, após formar a dobradinha da Ferrari com Schumacher.

2004 – segunda vitória em Monza

Rubinho emplacou uma vitória completa, com pole position e volta mais rápida.  Eis o seu depoimento após a façanha:

“ Foi um dia mágico, como o da minha primeira vitória em Monza, pois é a primeira vez que consigo obter duas vitórias na mesma pista. Por outro lado, esta tem sido e minha melhor época, e só me faltava uma vitória. Foi difícil escolher os pneus para a partida, mas receava ser envolvido num incidente no início da corrida, por isso optei pelos pneus para pista molhada, para procurar dar o máximo e tentar ganhar uma boa vantagem, pois também tinha o carro parcialmente afinado para competir na chuva. Isso resultou nas duas primeiras voltas, mas devia ter parado uma volta mais cedo para mudar de pneus, o que teria tornado mais fácil para mim a segunda parte da corrida. Depois, quando o Michael e o Pizzonia me ultrapassaram, pensei que estava tudo acabado, mas quando o carro começou a ficar mais leve pude voltar a dar o máximo, e a opção da equipe pela alteração da minha estratégia foi ótima. Quando comecei a ver os três primeiros, percebi que tinha mesmo chances e ao sair do último reabastecimento, a equipe disse-me que estava em primeiro, e eu quase não acreditei”.

2009- a terceira vitória em Monza

Longe de ser o favorito, Rubinho largou em 5º, por não ter tido a chance de buscar a pole position por causa de problemas com o KERS do seu  Brawn-Mercedes. Mas fez uma corrida muito bem calculada. Na verdade, atribuiu o bom rendimento do seu carro ao trabalho de acerto nos treinos da sexta-feira. Largou muito bem, ganhou duas posições e manteve-se acesso na prova. Fez duas paradas e ganhou a liderança para emplacar a  sua terceira vitória no templo de Monza e formar a dobradinha da Brawn-Mercedes com Jenson Button, que seria o campeão daquela temporada (LM)

Schumi com o Benetton B129 da primeira  vitória no GP da Bélgica de 1992

 Schumacher Bélgica 1992

A primeira vitória de Michael Schumacher foi a mais anunciada da Fórmula 1. Tão iminente que quando ele chegou a Spa-Francorchamps, para disputar o GP da Bélgica de 1992, deparou com uma enorme faixa, bem em frente ao seu boxe: “Schumi, vença essa corrida para nós”, assinada por seus conterrâneos de infância da cidadezinha de Hürth-Hermülheim.

O pedido dos amigos do piloto baseava-se nos ótimos resultados do alemãozinho de 23 anos, na sua primeira temporada completa na Fórmula 1, a bordo de um Benetton. Até aquela 12ª corrida do ano, Schumacher tinha subido sete vezes ao pódio; três em segundo e quatro em terceiro, além de outros três quarto lugares.

Porém, aquela não seria uma prova fácil para o alemão. Ele tinha colocado o Benetton-Ford B192 em terceiro no grid de largada, mas para chegar à primeira vitória teria que bater monstros sagrados da época; Nigel Mansell, com o extraordinário Williams FW14B de suspensão ativa, era o pole-position e tinha na primeira fila a companhia do tricampeão Ayrton Senna com o McLaren MP4-7A.

A corrida foi disputada sob variada intempérie. A largada foi dada com pista seca, que acabou molhada, primeiro por uma garoa fina que engrossou, transformou-se chuva e fechou a prova com espessa neblina.

Michael Schumacher não saiu para a briga nas primeiras voltas, manteve-se na terceira posição seguindo o ritmo de Senna e Mansell, que duelavam à sua frente.

Quando o motor V12 Honda do brasileiro perdeu potência, Schumacher assumiu a vice-liderança para, numa belíssima manobra, ultrapassar Nigel Mansell na 31ª das 44 voltas da corrida. Aí o autódromo entrou em suspense, mas quando o alemão cruzou a bandeirada Spa-Francorchamps explodiu em festa.

Schumacher festejou o primeiro triunfo criando um estilo épico no pódio. Aos pulos e socos no ar, ele comemorou a façanha, num desvario de risos e lágrimas – é, alemão também chora. Soqueou o ar, agradeceu aos céus e gozou a primeira vitória num estado bem próximo da levitação.

Já consagrado como Schumi, ele partiu para Hürth-Hermülheim, sua vila natal, à frente de uma caravana organizada pelo séqüito da Schumimania, enquanto outros 50000 alemães comemoravam a vitória em Spa-Francorchamps, dispostos a acabar com a cerveja das Ardenas belgas. Naquele 30 de outubro de 1992, na 17ª corrida de Michael Schumacher no 528º grande prêmio da existência da F-1, nascia o supercampeão, que festejaria 91 vitórias e se transformaria no maior recordista da história da Fórmula 1.

 O voo de Schumi com o B129, em Spa-Francorchamps

Schumi Benneton 1992)

Kovalainen Heiki Hungria 2008

Heikki Kovalainen com o McLaren MP4-23

Kovalainen Hungria 2008  Kovalainen ,no pódio, entre Tino Glock e Kimi  Raikkonen

O triunfo do Heikki Kovalainen, no GP da Hungria de 2008 – o único na sua carreira 52 grandes prêmios na F-1– foi mera consequência dos infortúnios de Felipe Massa e Lewis Hamilton. O finlandês, um piloto valente nos treinos, mas quase sempre irregular na corrida, foi beneficiado por duas explosões: a do motor da Ferrari de Massa e do pneu dianteiro do McLaren de Lewis Hamilton, na 40ª das 70 voltas da prova.

Para a McLaren o prejuízo foi menor, afinal ganhou a corrida com Kovalainen — 3ª consecutiva em cima da Ferrari. Hamilton ainda fechou em 5º — e passou a BMW no Campeonato de Construtores , naquela altura do campeonato, só  11 pontos de desvantagem da Ferrari: 100 a 111. Mas para o time italiano, mesmo com o 3º lugar de Kimi Raikkonen, o horizonte ficou nebuloso.

Até a explosão do motor de Massa, em Hungaroring, a Ferrari estava saindo de um momento complicado, já com contornos de crise, após as duas derrotas categóricas para a McLaren de Hamilton, nos GPs da Inglaterra e Alemanha.

Embora o chefão Stefano Domenicali negue tal situação, a Ferrari usou  “porta vozes” para levantar suspeita sobre o motor Mercedes-Benz dos McLaren MP4-23. Jogou o seu prestígio para colocar sob suspeita, junto à FIA a performance avassaladora de Lewis Hamilton no GP da Alemanha, a corrida anterior catalogando o motor V8 alemão de “míssil envenenado”.

Uma farpa que levou os comissários técnicos a prometerem que iriam investigar o motor dos MP4-23, amparada no artigo 5 do Regulamento Técnico da  Federação, já mantendo sob guarda o  propulsor retirado do carro de Lewis, em Hockenheim.

Mas suspeitas à parte, além dos lances fortuitos de Massa e Hamilton, o GP da Hungria teve poucas atrações. Louve-se o merecido segundo lugar do valente Tino Glöck, o alemãozinho que saiu de um acidente terrível  no GP da Alemanha para o seu primeiro pódio.

Glöck já tinha sido destaque na classificação, emplacando o 5º lugar, foi competente na  corrida ao resistir bravamente ao ataque de Kimi Raikkonen, e, de quebra, está deixando o seu veterano companheiro de Toyota, Jarno Trulli na poeira.

Nelsinho Piquet, 10º no grid, realizou outra boa corrida, fechando em 6º. E mais não poderia fazer pelo atual estágio do seu Renault, numa pista em que tentar ultrapassar é encrenca.

Porém nem com todos os azares e sortes à solta nesta temporada, o campeonato deixou de manter a disputa acesa e imprevisível, na corrida pelo título.

Hamilton 62 pontos, Raikkonen 57 e Massa 54, ainda vão se revezar e alternar-se na liderança da tabela. E muito possivelmente ainda serão surpreendidos por “sortudos” como  Heikki Kovalainen e Robert Kubica, que elevaram para cinco os pilotos com vitória em 2008, um recorde na era pós Schumacher. (LM)
 

Jody Scheckter, no McLarem M21, em Silverstone ,1973

Schecter Inglaterra 1973

Aquele GP da Inglaterra de 1973 era a quarta corrida do jovem Jody Scheckter, um sul-africano e surgiu arrepiando logo na estreia no GP da África do Sul.  Em Silverstone, ele foi sexto no grid, largou na segunda fila – a largada na época era dada no sistema 3-2-3 — ao lado de Denny Hulme e Emerson Fittipaldi e foi logo mostrando as credenciais que o consagraram como o camicase da F-1.

Tão logo a bandeira quadriculada baixou, Jody partiu possesso. Ultrapassou a Lotus de Emerson Fittipaldi e o Tyrrell de Jackie Stewart, mas quando entrou na curva Copse, 300 metros após a largada, tentou vencer, por fora, os McLaren de Denny Hulme e Peter Revson, mas a pista acabou. No desespero, Scheckter tentou voltar e rodou, provocando um bate-bate generalizado dos carros que vinham atrás do seu McLaren M21. Resultado: 19 carros destruídos, transformando a Copse num pátio de sucata milionário. No meio dos destroços estava o italiano Andrea de Adamich, preso nas ferragens de um Brabham-Ford retorcido. Adamich viveu 45 minutos de pavor. Suou frio e chorou de dor, durante o resgate. Uma operação delicada, que começava por esvaziar os quase 200 litros de combustível dos tanques do carro para depois serrar parte do chassi e livrar as pernas esmagadas do piloto.

Houve uma segunda largada só com 19 dos 28 carros que compuseram o primeiro grid. Além de Scheckter e Adamich, ficaram de fora os pilotos Mike Hailwood, Jochen Mass, José Carlos Pace, David Purley, JP Beltoise, Roger Willarson, George Follmer, Jack Oliver e Graham McRae.

Jody Scheckter foi campeão mundial com a Ferrari em 1979, mas jamais se livrou da fama de camicase, ganha em Silverstone naquela largada do GP da Inglaterra de 1973.(LM)

 GP da Áustria

Zeltweg, 17 de agosto 1986

Senna 1986

Ayrton Sennna com a Lotus equipada com o motor Renault

   A pista de Zeltweg era muito rápida, o vencedor chegava à média de 252 km/h. Portanto, seria uma corrida a caráter para Ayrton Senna. Mas não foi. Já se sabia que a Renault não continuaria na Fórmula 1 com seu turbo e apenas se mantinha na categoria cumprindo contratos, sem a preocupação de evoluir na competitividade.

Naquela corrida, a prova do desinteresse da Renault pela Fórmula 1 resultou na perda de potência do motor que, naquele grande prêmio, não permitiu ao brasileiro nada mais do que o oitavo lugar no grid. Na corrida, o aposentado Renault-turbo explodiu na 13a das 52 voltas. Na Áustria, o Renault V6 segundo trocadilho de Senna “já estava no ritmo da valsa do adeus”.

A indiferença de Ayrton Senna com o resultado do GP da Áustria tinha outra fonte. Vinha dos vários encontros que ele teve com os engenheiros japoneses da Honda, desde o GP de Mônaco, em maio daquele ano.

Senna saiu rapidamente de Zeltweg para Londres, onde tinha agendado um happy hour com o engenheiro Osamu Goto, chefe do programa Honda na F1, para a segunda-feira, e nem viu a festa de Prost, (|Mclren-Tag-Turbo) Alboreto (Ferrari-Turbo) e Johansson (Ferrari-Turbo) no pódio austríaco.

“Vou correr atrás de motor”, disse ele, antes de pegar o helicóptero que fretou para levá-lo a Viena.

 

 

JM  Fangio o 1º herói da Mercedes

Fangio França  54

França 1954

A primeira vitória da Mercedes na Fórmula 1 aconteceu há 63 anos, no GP da França de 1954. Era a 4ª etapa do campeonato e as Flechas de Prata entraram para ir além de marcar presença. Alinharam com três protótipos, oficiais de fábrica, pilotados por Juan Manuel Fangio, Karl Kling, e Hans Herrmann enfrentando cinco Ferrari de Frolilan Gonzalez, Mike Hawthorn,  Maurice Trintignant, Robert Manzon e Louis Rossier, seis Maserati; a de Onofre Marinon, Roy Salvatore,Roberto Mieres, Ken Wharton, Harry Shell e a do excêntrico Príncipe Bira, um nobre tailandês. A França era representada por três Gordini pilotados por Jacques Pollet, Paul Frère e Georges Berger.

A F-1 vivia a chamada fase romântica, sem a sofisticação do capacete integral, macacão incombustível. Os carros eram de construídos no estilo tubular, em ferro, sem atuais materiais leves como a  fibras de carbono e titâneo. A segurança limitava-se aos fardos de fenos que emolduravam o circuito. A prova era uma maratona de 61 voltas, pela pista de 8,3 km, totalizando 506,400 km.  Foi nesse cenário que a Mercedes despontou para o título de pilotos – à época não existia a disputa da Copa de Construtores – com o espetacular Fangio.

Juam Manuel Fangio foi o grande herói dessa estreia. Marcou a pole position e completou o percurso do GP da França em 2 horas 42 minutos e 47 segundos, a a velocidade média de 186 k/h. De quebra, a Mercedes também emplacou a dobradinha com Karl  Kling e a volta mais rápida com Hans Herrmann, deixando na poeira a concorrência. (LM)

 

Grid do GP da França de 1954:

 Nº 

 Piloto   Carro / Motor 

 Tempo 

 Atraso 

1

18

J.M.Fangio Mercedes

2’29.4

-

2

20

Karl Kling Mercedes

2’30.4

1.0

3

10

Alberto Ascari Maserati

2’30.5

1.1

4

2

J.F.González Ferrari

2’30.6

1.2

5

12

Onofre Marimón Maserati

2’31.6

2.2

6

46

Prince Bira Maserati

2’35.1

5.7

7

22

Hans Herrmann Mercedes

2’35.3

5.9

8

6

Mike Hawthorn Ferrari

2’35.6

6.2

9

4

M.Trintignant Ferrari

2’36.1

6.7

10

44

Roy Salvadori Maserati

2’36.3

6.9

11

16

Roberto Mieres Maserati

2’38.7

9.3

12

34

Robert Manzon Ferrari

2’42.0

12.6

13

36

Louis Rosier Ferrari

2’42.1

12.7

14

14

Luigi Villoresi Maserati

2’42.7

13.3

15

32

Lance Macklin HWM/Alta

2’52.5

23.1

16

42

Ken Wharton Maserati

3’09.3

39.9

17

24

Jean Behra Gordini

-

-

18

26

Jacques Pollet Gordini

-

-

19

28

Paul Frère Gordini

-

-

20

30

Georges Berger Gordini

-

-

21

48

Harry Schell Maserati

-

-

 

Classificação:

 Cla 

 Nº 

 Piloto   Carro / Motor 

 Voltas 

 Tempo 

 Atraso/Abandono 

1

18

J.M.Fangio Mercedes

61

2:42’47.9

2

20

Karl Kling Mercedes

61

2:42’48.0

0.1

3

34

Robert Manzon Ferrari

60

2:43’36.5

1 Volta

4

46

Prince Bira Maserati

60

2:43’37.5

1 Volta

5

14

Luigi Villoresi Maserati

58

2:43’37.9

3 Voltas

6

24

Jean Behra Gordini

56

2:44’21.3

5 Volta

 

16 carros não pontuaram

Boutsen, Piquet e Alesi, as zebras do Canadá

Boutsen  Canadá 1989 2

Therry Boutsen, Williams, Canadá  1989

Piquet Canadá 1991

Piquet, com o Benetton no Canadá 1991

Alesi 1995

Alesi, Ferrari , Canadá 1995

Desde que o GP do Canadá mudou para o circuito urbano da Ilha de Notre Dame, em 1978, que seus grandes prêmios são marcados por acontecimentos insólitos e até trágicos, como o da morte do italiano Riccardo Paletti em 1982.

Mas eu prefiro lembrar de três corridas que fecharam com zebras históricas. A primeira aconteceu em 1989. A largada foi dada com chuva e como Ayrton Senna, e seu McLaren, estavam na primeira fila, deu a lógica e ele assumiu a liderança.

O brasileiro reassumiu à ponta e abriu  uma vantagem de 27 segundos dos Williams-Renault de Riccardo Patrese, 2º colocado e de 34 de Thierry Boutsen, o 3º, a três voltas da bandeirada.

Só faltava a rotina do pódio a Senna quando, em plena reta que precede os boxes o turbo do seu motor Honda soou chocho e quebrou. E para que a zebra fosse ainda mais inesperada, o Williams de Patrese  teve que substituir pneu murcho.

Aí Thierry Boutsen, que vinha a 3 quilômetros do italiano, cruzou a bandeirada vitoriosa, assustado e feliz, consagrando a primeira das três vitórias na carreira dos 163 grandes prêmios disputados.

Embora se trate do tricampeão, a vitória de Nelson Piquet no GP Canadá de 1991 não se pode deixar de ser considerada zebra.

Explico: Nigel Mansell pilotava uma obra-prima da F-1, o Williams Renault FW14, de suspensão ativa. Daí não ser surpresa que o Leão disparasse na ponta. Ele estava a 2 km da vitória e já saudava os 80 mil espectadores do circuito Gilles Villeneuve, quando o motor Renault emudeceu.

Oficialmente, o problema ocorreu com a caixa de câmbio, que teria caído em ponto morto e o motor parou. Porém, a verdade é que Mansell estava tão seguro do triunfo, que deixou o giro do motor cair em demasia. E como o Renault V10, 3.5, só ficava ativo acima dos 8 mil rpm, simplesmente apagou e a bateria não teve forças para reativá-lo.

Nelson Piquet aproveitou a barbeiragem do inglês e tocou o seu Bentton-Ford para a 23ª e última vitória na F-1. Depois, quando eu lhe perguntei se a zebra havia derrotado o Leão, Piquet ironizou e respondeu: “A zebra era o Leão”.

A terceira zebra histórica do GP Canadá foi consagrada em de 1995, com a vitória de Jean Alesi.   Para quem não lembra, esse francês foi um piloto disputadíssimo pelas equipes da F-1, em 1990. Tão cobiçado que assinou um contrato com a Williams, embora ainda tivesse um compromisso com a Tyrrell. Mas a Ferrari, que queria tê-lo na sua escuderia em 1991, bateu o martelo e pagou duas multas  de 10 milhões de dólares  para Alesi rescindir com a Tyrrell e a Williams.

Jean Alesi, já era tido como azarado, por ter perdido corridas praticamente ganhas em pelo menos metade das 16 que fechou em segundo lugar.

A ironia no triunfo de Alesi no GP do Canadá de 1995, é que ela aconteceu numa corrida em que ele não tinha nenhuma chance. Mas Michael Schumacher, Damon Hill, David Coulthard e Mika Hakkinen, os favoritos que estavam à  sua frente  na prova, tiveram problemas e pararam.

Finalmente a sorte – ou a zebra — olhou para Alesi, naquele 11 de junho de 1995. Data em que ele completava 31 anos, lhe presenteando com a primeira vitória. Primeira e única, nos 201 grandes prêmios da carreira de 12 anos na categoria. As outras vitórias consideradas zebras no GP do Canadá foram as de Robert Kubica, em 2009 e de Daniel Ricciardo em 2014, (LM)

 

 

last

A confusa primeira largada de Mônaco

Nenhuma largada da F-1 é tão importante quanto a de Mônaco. No sinuoso circuito do Principado, partir bem é meio caminho andado para uma boa corrida, já que as ultrapassagens são difícil nessa pista estreita, dobrada e perigosa. Dai a grande briga pela pole position – meia vitória na gíria dos pilotos. Por isso ao longo de sua história o GP de Mônaco teve tipos de largadas diferentes dos demais circuitos da F-1.

Já no primeiro grande prêmio, disputado em 21 de maio de 1950, a largada foi tumultuada e nada menos do que nove carros, dos 19 que partiram, ficaram na curva Tabac.

Na década de 60, não houve muita confusão, porque não havia mais do que 16 carros inscritos. Mas quando a concorrência aumentou, os problemas começaram. De 1972 a 1974 as inscrições chegaram a 25 candidatos e ai foi estipulada uma limitação nos participantes, para garantir a segurança. Só os 18 melhores tempos iriam à largada. Uma atitude drástica da FIA, que deixou sem alinhar grandes pilotos. Jacky Ickx, Grahan Hill, Clay Regazzoni, Niki Lauda, John Watson, Keke Rosberg, Michele Alboreto e Damon Hill foram alguns dos botas barrados nas largada de Mônaco.

As equipes, e seus patrocinadores pressionaram tanto que a FIA que acabou cedendo. Primero estipulou em 20 os classificados, mas acabou aumentado para 24 e, em 1988, largaram 26 carros, com uma estranha inovação: largada com bandeira amarela. Uma restrição que proibia a ultrapassagem  até a primeira curva, a da Saint Devote, a 75 metros da primeira fila de carros.

Mas não foi somente a limitação à quantidade de carros e as brigas pela segurança que fazem a história das largadas e pole position de Monte Carlo. Muita catimba e maracutaias marcaram o grid do Principado. Há dois anos Lewis Hamilton colocou sob suspeita a rodada de Nico Rosberg, seu parceiro de Mercedes, nos últimos minutos da Q3, impedindo a sua segunda volta rápida. Porém a melhor história da briga pela pole position de Mônaco aconteceu no GP de 2006.

Naquela corrida Michael Schumacher tinha a pole provisória a dois minutos do encerramento da classificação, quando a Renault chamou Fernando Alonso para trocar os pneus e tentar cravar a pole. Foi aí que Schumy tirou uma novidade do seu vasto repertório.

Sabendo que Alonso estava cinco décimos mais rápido que ele na parte sinuosa do circuito, Schumi simulou uma batida no guard-rail, na chicane de La Rascasse, a última antes da entrada na reta dos boxes, e atravessou sua Ferrari na pista. Com esse recurso, e o tempo da super-pole zerado, a “batida” de Schumacher provocou a bandeira amarela e Alonso ficou impedido de superar a marca do alemão. Mas a malandragem pifou. A manobra foi tão acintosa que diretor da prova anulou o tempo de Schumacher e o alemão recebeu o castigo pelo logro alinhando no último lugar do grid. )LM)