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Hamilton cada vez mais perto do tri

Na Rússia, Hamilton emplacou a 9ª vitória de 2015

Na Rússia, Hamilton emplacou a 9ª vitória de 2015

Lewis Hamilton nem precisou fazer força para vencer o GP da Rússia e chegar a sua 9ª vitória no ano. Bastou esperar 7 voltas para ultrapassar Nico Rosberg,  que teve problemas de freio, encostou a sua Mercedes e ficou apreciando o desfile do parceiro de equipe rumo ao tricampeonato, praticamente assegurado.

Mais uma vez o carro Mercedes e a pilotagem de Hamilton consagraram na corrida de Sochi uma superioridade que zomba dos esforços das demais equipes. E o time alemão só não conseguiu festejar o bicampeonato de Construtores, na corrida russa –para o qual bastava superar a Ferrari em 3 pontos — por causa da quebra do carro de Rosberg, mas é uma façanha que seguramente virá na próxima prova.

Mercedes e Hamilton à parte, o GP da Rússia foi salvo no quesito emoção, pela briga  pelo 3ºo lugar no pódio e que teve em Kimi Raikkonen o seu grande protagonista. O finlandês alternou-se entre ousado, técnico e temerário. Já na largada pulou de 5º para 3º, ultrapassando Sebastian Vettel, seu companheiro de Ferrari, e a Williams de Vatteri Bottas e chegou a ameaçar o segundo lugar de Hamilton. Porém foi nas voltas finais que o finlandês mesclou sua atuação entre experiente campeão com atitudes de neófito irresponsável. Kimi voltou do pit stop em 5º e resolvido a subir no pódio, Na 48ª das 53 voltas da corrida, ele tinha à sua frente Lewis Hamilton e Sebastian Vettel, praticamente inalcançáveis, mas partiu para cima de Vatteri Bottas que, por sua vez, tentava ultrapassar o Sergio Perez, num surpreendente 3º lugar. A disputa foi feroz. Na penúltima volta, Bottas e Raikkonen conseguiram vencer o mexicano e partiram para o duelo pelo pódio. Aí Kimi Raikkonen exagerou. Tentou vencer Bottas de qualquer forma até jogar a Ferrari por dentro numa curva que só cabia um carro. Resultado: bateu na Williams do conterrâneo, tirou-o da corrida e foi bandeirado em 5º, com a sua Ferrari soltando faísca no contato do assolho solto com a pista e sob ameaça de punição.

Sergio Perez recobrou o 3º lugar para a Force India e Felipe Massa – 19º no grid–  viu  um 4º lugar magnífico cair-lhe no colo, a 4 curvas do final do grande prêmio.

Mas se o GP da Rússia teve um final eletrizante, graças a Kimi Raikkonen, teve  também outros coadjuvantes armando confusões. Já na primeira volta entrou o safety car para monitorar uma relargada motivada pela batida na largada de Nico Hulkenberg e Marcus Ericsson. Já Carlos Sainz, que saiu do hospital para largar em Sochi, por que havia batido forte nos treinos livres, quase causa outro acidente motivado pela perda dos freios do seu Toro Rosso. No entanto a batida mais forte foi dada por Romain Grosjean, que destruiu a sua Lotus na 11ª volta, obrigando a nova entrada do safety car. Porém, como Lewis Hamilton não tem nada a ver com batidas, quebras e barbeiragem, saiu de Sochi mais perto de entrar para o seleto clube dos tricampeões da Fórmula 1, uma galeria em que figuram Jack Brabham, Jackie Stewart, Niki Lauda, Nelson Piquet e Ayrton Senna. (LM)

Grid:

1

6

Nico Rosberg Mercedes

1’37.113

-

-

2

44

Lewis Hamilton Mercedes

1’37.433

0.320

0.330

3

77

Valtteri Bottas Williams/Mercedes

1’37.912

0.799

0.823

4

5

Sebastian Vettel Ferrari

1’37.965

0.852

0.877

5

7

Kimi Räikkönen Ferrari

1’38.348

1.235

1.272

6

27

Nico Hülkenberg Force India/Mercedes

1’38.659

1.546

1.592

7

11

Sergio Pérez Force India/Mercedes

1’38.691

1.578

1.625

8

8

Romain Grosjean Lotus/Mercedes

1’38.787

1.674

1.724

9

33

Max Verstappen Toro Rosso/Renault

1’38.924

1.811

1.865

10

3

Daniel Ricciardo Red Bull/Renault

1’39.728

2.615

2.693

11

26

Daniil Kvyat Red Bull/Renault

1’39.214

2.101

2.163

12

12

Felipe Nasr Sauber/Ferrari

1’39.323

2.210

2.276

13

22

Jenson Button McLaren/Honda

1’39.763

2.650

2.729

14

13

Pastor Maldonado Lotus/Mercedes

1’39.811

2.698

2.778

15

19

Felipe Massa Williams/Mercedes

1’39.895

2.782

2.865

16

9

Marcus Ericsson Sauber/Ferrari

1’40.660

3.547

3.652

17

28

Will Stevens Marussia/Ferrari

1’43.693

6.580

6.776

18

98

Roberto Merhi Marussia/Ferrari

1’43.804

6.691

6.890

19

14

Fernando Alonso McLaren/Honda

1’40.144

3.031

3.121

20

55

Carlos Sainz Toro Rosso/Ren

 

Classificação:

1

44

Lewis Hamilton Mercedes

53

1:37’11.024

2

5

Sebastian Vettel Ferrari

53

1:37’16.977

5.953

3

11

Sergio Pérez Force India/Mercedes

53

1:37’39.942

28.918

4

19

Felipe Massa Williams/Mercedes

53

1:37’49.855

38.831

5

7

Kimi Räikkönen Ferrari

53

1:37’53.382

42.358

6

26

Daniil Kvyat Red Bull/Renault

53

1:37’58.590

47.566

7

12

Felipe Nasr Sauber/Ferrari

53

1:38’07.532

56.508

8

13

Pastor Maldonado Lotus/Mercedes

53

1:38’12.112

1’01.088

9

22

Jenson Button McLaren/Honda

53

1:38’30.491

1’19.467

10

14

Fernando Alonso McLaren/Honda

53

1:38’37.234

1’26.210

11

33

Max Verstappen Toro Rosso/Renault

53

1:38’39.448

1’28.424

12

77

Valtteri Bottas Williams/Mercedes

52

Colisão

13

98

Roberto Merhi Marussia/Ferrari

52

1 Volta

14

28

Will Stevens Marussia/Ferrari

51

2 Voltas

15

3

Daniel Ricciardo Red Bull/Renault

47

Suspensão

55

Carlos Sainz Toro Rosso/Renault

45

Freios

8

Romain Grosjean Lotus/Mercedes

11

Rodada

6

Nico Rosberg Mercedes

7

Acelerador

27

Nico Hülkenberg Force India/Mercedes

0

Colisão

9

Marcus Ericsson Sauber/Ferrari

0

Colisão

 

Pilotos:

1

Lewis Hamilton

302  

25

18

25

25

18

15

25

18

25

8

25

25

-

25

25

2

Sebastian Vettel

236  

15

25

15

10

15

18

10

12

15

25

-

18

25

15

18

3

Nico Rosberg

229  

18

15

18

15

25

25

18

25

18

4

18

-

12

18

-

4

Kimi Räikkönen

129  

-

12

12

18

10

8

12

-

4

-

6

10

15

12

10

5

Valtteri Bottas

111  

-

10

8

12

12

-

15

10

10

-

2

12

10

10

-

6

Felipe Massa

109  

12

8

10

1

8

-

8

15

12

-

8

15

-

-

12

7

Daniil Kvyat

74  

-

2

-

2

1

12

2

-

8

18

12

1

8

-

8

8

Daniel Ricciardo

73  

8

1

2

8

6

10

-

1

-

15

-

4

18

-

-

9

Sergio Pérez

54  

1

-

-

4

-

6

-

2

2

-

10

8

6

-

15

10

Romain Grosjean

44  

-

-

6

6

4

-

1

-

-

6

15

-

-

6

-

11

Nico Hülkenberg

38  

6

-

-

-

-

-

4

8

6

-

-

6

-

8

-

12

Max Verstappen

32  

-

6

-

-

-

-

-

4

-

12

4

-

4

2

-

13

Felipe Nasr

23  

10

-

4

-

-

2

-

-

-

-

-

-

1

-

6

14

Pastor Maldonado

20  

-

-

-

-

-

-

6

6

-

-

-

-

-

4

4

15

Fernando Alonso

12  

-

-

-

-

-

-

-

1

10

-

-

-

-

1

16

Carlos Sainz

12  

2

4

-

-

2

1

-

-

-

-

-

-

2

1

-

17

Marcus Ericsson

9  

4

-

1

-

-

-

-

-

-

1

1

2

-

-

-

18

Jenson Button

8  

-

-

-

-

-

4

-

-

-

2

-

-

-

-

2

19

Roberto Merhi

0  

-

-

 

Construtores:

1

Mercedes

531  

43

33

43

40

43

40

43

43

43

12

43

25

12

43

25

2

Ferrari

365  

15

37

27

28

25

26

22

12

19

25

6

28

40

27

28

3

Williams/Mercedes

220  

12

18

18

13

20

-

23

25

22

-

10

27

10

10

12

4

Red Bull/Renault

147  

8

3

2

10

7

22

2

1

8

33

12

5

26

-

8

5

Force India/Mercedes

92  

7

-

-

4

-

6

4

10

8

-

10

14

6

8

15

6

Lotus/Mercedes

64  

-

-

6

6

4

-

7

6

6

15

-

10

4

7

Toro Rosso/Renault

44  

2

10

-

-

2

1

-

4

-

12

4

-

6

3

-

8

Sauber/Ferrari

32  

14

-

5

-

-

2

-

-

-

1

1

2

1

-

6

9

McLaren/Honda

20  

-

-

-

-

-

4

-

-

1

12

-

-

-

-

3

10

Marussia/Ferrari

0  

-

 

Cingapura 2008, o escândalo Piquetgat

Nelsinho  Piquet com o Renault da maracutaia

Nelsinho Piquet com o Renault da maracuta

 

Alonso no pódio da vitória arranjada

Alonso no pódio da vitória arranjada

 

Foi no GP de Cingapura de 2008 que veio à tona o escândalo, envolvendo o piloto Nelsinho Piquet e patrão Flávio Briatore da  Equipe Renault.

O piloto confessou que teria causado voluntariamente um acidente na 13ª volta das 61 do da corrida, obedecendo ao chefão da Renault. Um acidente voluntário para provocar a entrada do safety car na pista, favorecendo Fernando Alonso, que havia feito o pit stop na volta anterior e, com tal expediente, passou a liderar a corrida, após o reabastecimento dos demais carros.

. Uma jogada esperta, mas deplorável, que deu a Alonso uma vitória ilícita – a 21ª da carreira do espanhol.

A história só veio a público após a demissão de Nelsinho da Renault, no GP da Hungria, em julho, dando claras evidências que houve vingança do piloto, em cima do seu patrão, e também manager, que se recusava a renovar o contato com o piloto para 2010.

De toda forma, foi uma atitude antidesportiva do piloto, por mudar o resultado de um grande prêmio, e temerária por colocar a sua  integridade física — e moral – em perigo e oferecer ricos a outros 19 pilotos.

Flávio Briatore se defendeu, negando tudo e insinuando que há armação política por trás do escândalo. Num ponto ele tem razão, havia muita gente importante que mão via nada de respeitável na sua ficha, dentro da F-1.

Foi como comandante da Benetton, em 1995 que a escuderia perdeu os pontos da vitória de Michael Schumacher no GP do Brasil por uso de  combustível fora do regulamento.

É incrível, mas também a mudança do sistema de largada da F-1, em 1995, aconteceu porque  os comissários técnicos descobriram  uma fotocélula no Benetton de Schumacher que acionava o a partida, cada vez que os faróis verdes acendiam. O alemão só tinha o trabalho de  tirar o pé da embreagem. Houve dúvidas, quanto à eficiência do mecanismo, mas a verdade é que a largada passou a ser autorizada quando as cinco luzes vermelhas se apagam.

Nelsinho confessou a armação, foi beneficiado pela delação premiada, numa clara intenção de vingar-se de Flavio Briatore.

Tanto que o então chefão da Renault, e o engenheiro chefe da escuderia, Pat Symonds (que voltou a F-1 este ano de 2015, pela Williams), foram intimados a depor no  Tribunal da FIA. Eles negaram a ordem para a maracutaia, mas além da confissão de Piquet, havia provas materiais, como o mapa da telemetria, que mostra claramente que a batida foi proposital.

O mais curioso neste escândalo é a atitude de Fernando Alonso. Ele se disse surpreso com os acontecimentos, não admite ter sido beneficiado pelo arranjo e se negou a qualquer comentário.  No entanto, não explica o porquê de ter parado convenientemente, uma volta antes da batida de Nelsinho. A 12ª, numa corrida de 61 voltas, e colocar gasolina para ir até a 41ª, como se nem desconfiasse que os outros 18 carros só entrariam para os pit stops após a saída da pista do safety car, que  Nelsinho provocou com o “acidente”.

O episódio, trágico para a carreira de Nelsinho na F-1, foi comemorado por vários setores da F-1 que desejavam ver esperto Flávio Briatore fora do circo. (LM)

 

 

Button, na primeira vitória na F-1, Hungria 2006

Button, na primeira vitória na F-1, Hungria 2006

 

Jenson Button teve uma curiosa crise da amnésia na entrevista coletiva que concedeu ao fim do GP da França de 2006. Não sabia qual era o ano do campeonato que disputava, não lembrava por que abandonara a corrida e demorou vários segundos para lembrar que era Rubens Barrichello o nome de seu companheiro na Honda.

Ele parecia estar noutra galáxia quando tentava responder as perguntas do âncora da televisão inglesa ITV. Quando o repórter perguntou malicioso, se ele sabia que estava na Alemanha, Button pensou um pouco e, um tanto envergonhado, respondeu em tom baixo: “Magny-Cours”, demonstrando não ter certeza de estar na França.

As dificuldades com o acerto do carro e as quebras do motor pareciam ter estressado Button. Um piloto que surgiu como grande promessa inglesa, mas que já tinha ultrapassado a centena de grandes prêmios sem ter vencido.

Button, mesmo sem assumir, carregava a responsabilidade de quebrar o jejum de sete anos sem vitórias inglesas, desde que John Herbert venceu o GP da Europa de 1999, em Nürburgring, e de tentar repetir a conquista do título mundial de Damon Hill em 1996. As cobranças desagradavam o piloto. Tanto que ele, que garantia não ser supersticioso deixou a barba crescer no início da temporada de 2006, com a promessa de só raspá-la depois da primeira vitória.

Quem não perdia a esperança era John Button, pai de Jenson, uma presença simpática e permanente nos boxes dos grandes prêmios, afirmando sempre que o filho ainda iria fazer algo de muito grande na Fórmula 1.

O velho Button tinha razão. O dia chegou de surpresa, no domingo chuvoso de 6 de agosto de 2006, no GP da Hungria, na 114ª corrida do inglês. Jenson não tinha feito um bom treino. Só largou em 14º, sob chuva forte e decidido a atuar defensivamente, para chegar ao fim da corrida. Mas assim que partiu sentiu-se muito confortável no Honda RA-106, e até se surpreendeu com a facilidade com que pulou do 14º lugar para 11º na primeira volta. Gostou do ritmo e foi vencendo um carro por volta até chegar à quarta posição, manobrando com segurança no encharcado e traiçoeiro circuito de Hungaroring, famigerado por não ter pontos de  ultrapassagens.

O mundo da Fórmula 1, que estava focado no duelo entre Fernando Alonso e Michael Schumacher, surpreendeu-se quando Jenson Button assumiu a liderança, a dez voltas do fim da corrida, com a folgada vantagem de 40 segundos. Voltas que ele confessou terem sido as mais excitantes da carreira, tanto que cruzou a bandeirada em lágrimas e gritando liberado e vitorioso: “Isso é mais sublime que sexo”.

Seu pai parecia mãe de miss. De charuto dançando entre os lábios, contava que o filho era ótimo piloto na pista molhada, mas tinha se superado no circuito húngaro. “Ele espantou o azar que o perseguia nas cinco temporadas em que competiu na Williams, Renault e BAR”, desabafou o pai coruja.

Ao contrário do GP da França, Button foi loquaz frente às câmeras da ITV, em Hungaroring. Desta vez foi seguro ao responder à ironia do repórter que perguntou se agora ele sabia onde estava. “Sei”, replicou. “Na Hungria, no céu. Com a vitória, que é o melhor lugar em que eu poderia estar.” E foi raspar a barba. (LM)

 

 

 

 

GP da Áustria de 1975,

o maior susto de Wilsinho

 

Wilsinho e o Copersucar FD-01, na Áustria  1975

Wilsinho e o Copersucar FD-01, na Áustria 1975

Wilsinho Fittipaldi Copersucar Áustria 1975

Wilson Fittipaldi Jr. competiu em 36 grandes prêmios de Fórmula 1. Percorreu cerca de 20000 quilômetros, numa média de 250 km/h. Passou por momentos cruciais, mas o grande susto da carreira aconteceu no GP da Áustria de 1975. Confira sua história:

“Eu vinha a 275 km/h, na melhor volta da sessão de classificação de sábado. De repente, senti um tranco, a suspensão dianteira esquerda abriu, a roda arrebentou e passou voando ao lado da minha cabeça, com manga de eixo, disco de freio, tudo se desintegrando. No puro reflexo, tirei as mãos do volante e cruzei-as na altura do peito, me precavendo contra o impacto frontal do carro no guard-rail.

O Copersucar arrancou dois lances da rede da cerca de proteção metálica e parou no terceiro. Mas quando o carro estancou, eu entrei em pânico, porque vi labaredas saindo do motor. Acionei o botão do extintor de incêndio do motor e senti o frio da espuma que entrava na minhas costas pelo cockpit.

Apavorado com a possibilidade de o carro incendiar enrolado na tela de aço, e sufocado pela fumaça, pensei no pior: vou morrer. Só senti algum alívio quando ouvi a voz do Emerson e do Moco (José Carlos Pace) gritando para providenciarem um alicate para cortar a tela. O Emerson insistia para trazerem mais extintores e então voltei a me borrar de medo de novas chamas. Felizmente, alguém apareceu com o alicatão e foram cortando a tela para me tirar do carro. Saí encharcado de suor e espuma antifogo. Foi o maior susto e o maior acidente da minha carreira na Fórmula 1. Pelo tamanho da encrenca as consequências foram pequenas, tive apenas o pulso da mão direita fraturado”. (LM)

 

 

Von Trips 2

 

Von Trips com  a Ferrari no trágico GP da Itália de 1961

Von Trips com a Ferrari no trágico GP da Itália de 1961

 

Wolfgang von Trips cujo nome completo era Wolfgang Alexander Albert Eduard Maximilian Reichsgraf Berghe von Trips, foi um conde alemão que competiu com o pseudônimo de Graf Berghe, para se esconder da oposição familiar, totalmente contra as corridas de automóveis. Ele competiu em 27 grandes prêmios pela Ferrari, entre 1957 a 1961, e foi o primeiro piloto germânico a vencer grandes prêmios de F-1 – quatro no total – e a chegar à decisão de um título mundial nos primeiros 45 anos da categoria.

Von Trips (1928-1961) pagou com a vida a paixão pela velocidade ao perecer no trágico acidente no GP da Itália de 1961, em Monza, quando disputava o título de campeão com o norte-americano Phil Hill. A Ferrari do alemão enroscou no Lotus de Jim Clark na segunda volta e o carro voou contra o público, matando 14 pessoas além do piloto.

Apesar da tragédia, houve festa em Monza naquele 10 de setembro de 1961. A Ferrari venceu tudo: o grande prêmio, o título de Construtores e o de Pilotos com Phil Hill, segundo piloto da escuderia, 1 ponto à frente de Von Trips (34 a 33). Já a Alemanha teve que aguardar 33 anos,  esperar Michael Schumacher nascer para ter um campeão mundial de F-1.

Wolfgang von Trips foi um dos 40 pilotos que morreram em plena atividade na Fórmula 1, desde a instituição da categoria no GP da Inglaterra em 13 de maio de 1950. (LM)

 

 

Hawthorn com a Ferrari F246 de 2.4 cc motor V6

Hawthorn com a Ferrari F246 de 2.4 cc motor V6

 

Maracutaia da Ferrari dá título

de 1958 a Mike Hawthorn

 

 

Mike Hawthorn foi o primeiro campeão inglês de Fórmula 1, mas sua façanha ficou marcada pela interferência do boxe da Ferrari.

Quando o circo acampou em Monza, para o penúltimo grande prêmio de 1958, Hawthorn disputava o título com o conterrâneo Stirling Moss e a contagem estava 33 a 30 para o adversário. Mas na corrida o norte-americano Phil Hill, o segundo piloto da Ferrari, era quem brigava pela vitória contra Tony Brooks, da Vanwall. Hill já tinha batido o recorde da volta por duas vezes quando o boxe mandou que ele cedesse o segundo lugar a Hawthorn, terceiro naquela altura da prova. Hill obedeceu, trocou de posição e Hawthorn que, com o segundo lugar e sem briga, folgou 6 pontos de Moss.

No GP seguinte, disputado em Marrocos, repetiu-se a maracutaia. Outra vez Phil Hill estava em segundo e, dessa vez, pronto para ultrapassar o Vanwall de Stirling Moss e ganhar a liderança, quando o boxe mandou ele aliviar e deixar Hawthorn passá-lo. Phil Hill – vivendo o mesmo drama que se repetiria com Rubinho Barrichello na mesma Ferrari, meio século depois – obedeceu e, novamente, fechou em terceiro.

Resumo da ópera: mesmo com a vitória de Moss, Mike Hawthorn sagrou-se campeão, por um pontinho – 42 a 41. De prêmio, o obediente Phil Hill ganhou um contrato de três anos na Ferrari, escuderia pela qual foi campeão mundial – sem maracutaia – em 1961.

UM F-1 trubinado

 

O Brabham  BT46B com sua turbina, condenado pela FIA após a vitória no GP da Suécia de 1978

O Brabham BT46B com sua turbina, condenado pela FIA após a vitória no GP da Suécia de 1978

Brabham exaustor 2

O carro exaustor foi uma invenção mirabolante da autoria de Gordon Murray, o vitorioso projetista dos Brabham BT que deram os títulos de 1981 e 1983 a Nelson Piquet.

Murray criou um estranho ventilador — especie de turbina–que, instalado na traseira do F-1, provocava uma sucção que resultava em maior aderência do carro propiciando maior aceleração. Mas o carro exaustor – Brabham BT46B — teve glória efêmera. Venceu o GP da Suécia de 1978, com Niki Lauda, porém teve a vitória cassada. Foi desclassificado da corrida e posteriormente condenado pela FIA por provocar um rastro de ar violento e uma consequente turbulência tornando os carros que o seguiam na sua traseira fora de controle. (LM)

 

O Espírito da volta

Emerson,e a curiosa volta na corrida de Miami

Emerson,e a curiosa volta na corrida de Miami

Emerson estava nas nuvens. As curvas se abriam mágicas. Ele fazia as tomadas deslizando suave, acelerando o March-Chevy V8, de 700 cv, com o prazer de orgasmo. Há três anos, desde que deixara a Fórmula 1, em 5 de outubro de 1980, não sentia aquela sensação. Estava só na pista, treinava para o Grand Prix de Miami de 1983, mas era o retorno às pistas, portanto vivia.

Guiava um esporte-protótipo da equipe de Ralph Sanchez de nome Espírito de Miami e tudo era maravilhoso naquele circuito de Palm Beach

Sentia-se bem no carro, a máquina estava sob controle que até teve que disfarçar a emoção de estar de “à vida” volta que apressou-se em colocar o capacete, para não flagrarem as lágrimas que  surgiam rasas no seu olhos.

Ainda deleitava-se com a obediência dos comandos do March-Chevy quando tomou duas curvas seguidas e reduziu para uma terceira tomada e o motor não obedeceu. O acelerador prendeu na aceleração máxima acordando Emerson para os perigos que ele já tinha esquecido.

Não pôde, nem teve tempo de fazer nada. Quando se deu conta já estava dentro de um lago, limítrofe à pista, com a água chegando ao banco do carro. Louvava a sorte de não ter capotado – podia morrer afogado – quando lembrou-se que alguém tinha dito que naquelas águas havia muito jacarés e saltou rápido para o capô para esperar o  socorro.

Mas nem o medo dos jacarés impediu que dois dias depois Emerson Fittipaldi levasse o Espírito de Miami a pole position, uma proeza que ele não cometia há dez anos, desde o GP do Canadá de 1974. Estava deslumbrado e disposto a marcar aquela volta às pistas, num grande prêmio, com uma grande atuação. Alinhou confiante, largou bem, assumiu a liderança e sentiu que estava no caminho do pódio quando, caprichosamente, o câmbio travou e teve que abandonar a corrida. Frustrou-se com o resultado, mas estava feliz porque com o Espírito de Miami tinha provado que, aos 37 anos, poderia começar tudo de novo. E começou pelo mais difícil: em 1984 alinhava nas badaladas 500 Milhas de Indianapolis. (LM)

 

 

 

Fernando Alonso

o primeiro e único

 Alonso 1ª vitória hungrai 2003

Fernando Alonso tornou-se herói da Espanha depois da vitória de ponta a ponta no GP da Hungria de 2003. Um triunfo que, além de histórico, incluiu o fato raro de colocar uma volta sobre o grande Michael Schumacher, na 61ª das 70 voltas da prova.

Alonso, um asturiano que estreou no GP da Austrália em 2001, aos 19 anos, num sofrível Minardi, não marcou pontos nos 17 GPs daquela temporada. Em 2002, Flávio Briatore, o mesmo descobridor de Schumacher, ofereceu-lhe um lugar de test-driver na Renault e já no ano seguinte promoveu-o a titular da equipe francesa. E não foram necessários mais que os 13 grandes prêmios para Alonso se tornar o maior piloto da Espanha na Fórmula 1 e novo meteoro da categoria. Foi o primeiro espanhol a cravar uma pole position, a fazer a volta mais rápida de uma corrida, a subir mais vezes no pódio, a vencer um grande prêmio e a tornar-se o piloto mais jovem a ganhar uma corrida na existência da F-1.

Com a vitória na Hungria aos 22 anos (29/7/81), Alonso bateu o recorde de Bruce McLaren (30/8/37) vencedor do GP dos Estados Unidos, em Sebring em 12/12/59. Superou de longe a proeza do conterrâneo Alfonso de Portago que desfrutava da glória de ter sido o primeiro e único ibérico a subir num pódio da F-1, como segundo colocado no GP da Inglaterra de 1956, pilotando uma Ferrari.

Mas, se a vitória foi a consagração na pista, fora dela foi sofrida. Alonso ainda comemorava a façanha quando recebeu a notícia de que a FIA iria anular o resultado daquele GP da Hungria de 2003. Tudo porque os comissários esportivos descobriram que seu Renault havia competido com os pneus dianteiros 1 centímetro mais largos do que os 27 regulamentares. O piloto protestou com cara de marido traído, garantindo que foi o último a saber da irregularidade. Passada uma semana, a FIA aceitou o argumento da Michelin, sustentando que o aumento na bitola do pneu deveu-se à dilatação causada pelos 59 graus de temperatura do asfalto de Hungaroring. O resultado do grande prêmio foi confirmado e Alonso, enfim, pôde comemorar todos os recordes a que tinha direito. (LM)