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A terrível Eau Rouge

Memórias > arquivo > 2012

Eau Rouge, a emoção de todas as curvas do mundo



A curva Eau Rouge, do circuito belga de Spa-Francorchamps, é, na opinião unânime dos pilotos de Fórmula 1, a mais traiçoeira, difícil e prazerosa de pilotar. Os mais ousados a elegem sua favorita e os mais contidos a chamam de espetacular. Mas nenhum admite ter medo da pista belga, embora muitos botas cheguem ao pavor não confessado. Ser o pole-position em Spa já é pertencer ao primeiro time da Fórmula 1, mas fazer a volta mais rápida vale a carteirinha de cobrão.
Juan Manuel Fangio orgulhava-se de ter feito a pole position, volta mais rápida e de vencer em Spa-Francorchamps, com a Maserati em 1954. Uma façanha que John Surtees gabava-se de tê-lo igualado com a Ferrari, em 1966.
Isso tudo por causa da desafiadora Eau Rouge, uma curva que separa os pilotos dos gênios. Ela se localiza depois do lento cotovelo da Source, onde os pilotos colocam a segunda marcha e descambam num trecho descendente em velocidade plena, que termina no vértice da curva e inicia uma subida acentuada.
O italiano Riccardo Patrese, com 256 GPs de F-1, afirmava que “suas bolas” subiam na garganta quando o carro atingia o ângulo da Eau Rouge.
Nelson Piquet, um dos que se divertiam em Spa, ainda gagueja ao contar as sensações que a força G causa na Eua Rouge: “Quando se atinge a parte mais baixa da Eau Rouge, sente-se uma pressão fantástica comprimindo a cabeça. A bunda cola no banco e dá uma esmagada. É um ponto onde todas as forças atuam, te comprimem na vertical e se deslocam para a lateral direita. E, quando se toma a curva, a força muda para a esquerda. Parece que há 100 quilos sobre a cabeça. Na subida, a força lateral e a vertical se invertem, passando para cima. O corpo fica leve, a gente parece levitar, empurrado por uma ação estranha, que dá a sensação de que vai ser cuspido do carro”.
Piquet pára, respira e conta que, subindo de pé no fundo, o carro fica solto, parece uma pena, exatamente onde Ricardo Zonta, Jacques Villeneuve, Jarno Trulli e Giancarlo Fisichella destruíram seus carros, nos GPs da Bélgica de 2000 e 2005, e no ponto exato onde morreu o alemão Stefan Bellof, em 1985.
“A Eau Rouge”, resume Piquet, “é uma curva única, feita em segundos, mas o piloto experimenta as sensações de todas as curvas do mundo. A força G atua na lateral para a esquerda, direita, vertical, para cima e para baixo. Ufa!”
Na verdade, a Eau Rouge é coisa para gênios ou doidos. Ayrton Senna foi quatro vezes pole-position e venceu cinco GPs da Bélgica, mas nunca fez a volta mais rápida naquela pista. Já Andrea de Cesaris que jamais venceu um grande prêmio dos 208 que disputou, marcou a única volta mais rápida da carreira em Spa, em 1983. Já Alain Prost, sabidamente um piloto mais técnico que arrojado, foi seis vezes o dono da volta mais rápida no circuito belga e Nigel Mansell, o Leão das pistas, não conseguiu ser o mais veloz em Spa, nos seus 15 anos de F-1.

Até o grande recordista Michael Schumacher só conseguiu a pole position e a volta mais rápida em Spa-Franchorchamps em 2002, depois de 12 anos de carreira na F-1.

Lewis Hamilton, na Eau Rouge,
dono da volta mais rápida em Spa 2010

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